- junho 10, 2026
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O Tesouro Prefixado rompeu nesta quarta-feira (10) a marca de 15% ao ano pela primeira vez no ano, com o vencimento de 2029 abrindo a 15,02%, de 14,89% no fechamento de terça-feira. O movimento reforça a precificação na curva de juros de uma possível reversão da Selic de queda para alta , dias antes de nova reunião do Copom, na próxima semana.
Além do cenário global de maior temor inflacionário, os preços reagem no plano mais imediato à pesquisa Quaest divulgada nesta manhã que mostrou Lula ampliando a vantagem sobre Flávio Bolsonaro no segundo turno e liderando com folga o primeiro.
A alta foi generalizada por toda a curva nominal. O Prefixado 2032 subiu de 14,79% para 14,87% e o com juros semestrais para 2037 avançou de 14,70% para 14,79%. Nos títulos de inflação, a abertura foi mais contida, com o IPCA+ 2032 saltando de 8,32% para 8,38%, e o 2037 com juros semestrais de 7,94% para 7,98%, encostando no patamar psicológico de 8% que o mais curto de 2032 já ultrapassou.
Além da questão eleitoral, o ambiente é de acúmulo de incertezas em relação à questão fiscal. O governo decidiu adiar a auditoria do BPC para depois das eleições, priorizando a redução da fila do INSS e, no Senado, a PEC que acabaria com a jornada 6×1 segue sem data para avançar: Alcolumbre aguarda conversa direta com Lula antes de pautar a proposta e cancelou reuniões com a CCJ sobre o tema. A equipe econômica, por sua vez, tenta conter outras pautas de alto impacto fiscal em tramitação, como a renegociação de dívidas rurais e a ampliação de benefícios tributários.
Preocupações de cunho fiscal, vale lembrar, costumam atingir principalmente os títulos de papéis mais longos, que não se mexem tanto quanto os mais curtos na sessão de hoje.
Lá fora, a inflação ao consumidor nos EUA (CPI) de maio, divulgada após a abertura do mercado brasileiro, veio em linha com o esperado e trouxe algum alívio para o câmbio: o dólar abriu em alta após a Quaest, mas voltou à estabilidade depois da divulgação. O dado, no entanto, ainda não está refletido nas taxas do Tesouro.
Fábio Murad, sócio e fundador da Ipê Avaliações, avalia que a leitura do CPI é ambígua. “O número cheio veio pesado, mas a composição mostra que o problema ainda está muito concentrado em energia”, afirma. Segundo ele, o mercado deve ler o dado “como um reforço do cenário de juros altos por mais tempo nos EUA, com pressão sobre Treasuries, dólar mais firme e menor espaço para tomada de risco em bolsa e mercados emergentes.”
Veja as taxas do Tesouro Direto às 9h30 desta quarta-feira (10):
| Título | Rendimento Anual | Vencimento |
|---|---|---|
| Tesouro Reserva 2036 | SELIC | 31/12/2035 |
| Tesouro Selic 2031 | SELIC + 0,0743% | 28/02/2031 |
| Tesouro Prefixado 2029 | 15,02% | 31/12/2028 |
| Tesouro Prefixado 2032 | 14,87% | 31/12/2031 |
| Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 2037 | 14,79% | 31/12/2036 |
| Tesouro IPCA+ 2032 | IPCA + 8,38% | 14/08/2032 |
| Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2037 | IPCA + 7,98% | 14/05/2037 |
| Tesouro IPCA+ 2040 | IPCA + 7,68% | 14/08/2040 |
| Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2045 | IPCA + 7,71% | 14/05/2045 |
| Tesouro IPCA+ 2050 | IPCA + 7,38% | 14/08/2050 |
| Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2060 | IPCA + 7,57% | 14/08/2060 |

