Lula diz a Trump para “não se meter” nas eleições brasileiras: “Problema nosso”

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) rebateu nesta quarta-feira (16) uma declaração de Donald Trump sobre o Brasil ser um país “politicamente perigoso”, feita ao comentar o caso de Eduardo Bolsonaro.

“Por mim, ele [Donald Trump] pode continuar gostando do Bolsonaro, do pai, do filho, até do neto. É problema dele. Agora, não se meta nas eleições do Brasil, porque as nossas eleições são um problema nosso, como as eleições americanas são problema deles, não meu”, disse Lula em coletiva de imprensa, ao ser questionado sobre a fala do presidente norte-americano.

“A única coisa que eu quero é respeito pelo Brasil, como eu tenho pelos Estados Unidos. Só isso”, acrescentou.

Mais cedo, Trump havia classificado o Brasil como um país perigoso ao comentar a situação de Eduardo Bolsonaro e afirmou ter sido informado de que “prenderam o Bolsonaro Jr.”.

“Ele estava indo bem nas pesquisas eleitorais e o prenderam, porque ele fez uma declaração no Texas. Eles o prenderam, ou querem prender, não sei. Estão tramando algo”, disse Trump.

Em resposta, Lula afirmou que Trump conhece pouco o Brasil e disse que o presidente dos Estados Unidos deveria aprender com o sistema eleitoral brasileiro.

“Não tem país no mundo que tenha um sistema de urna eletrônica como o nosso, em que duas horas após terminar a eleição a gente já sabe o resultado nos 27 estados da federação. […] Vou levar uma urna eletrônica para ele ver como funciona”, ironizou.

Lula também afirmou que não pediu uma reunião bilateral com Trump e disse que o norte-americano tem se comportado como um “imperador”. O presidente brasileiro criticou ainda a intenção de Trump de impor tarifas adicionais sobre produtos brasileiros e a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas, medida que chamou de “desaforada” em relação ao Brasil.

“Não pedi bilateral com o Trump porque nós estamos em negociação. […] Eu entreguei para ele um documento sobre o crime organizado para mostrar que a nossa Polícia Federal está preparada para enfrentar as facções. Disse para ele que, se quiser combater o crime organizado, o Brasil está muito disposto. Mas entreguei por escrito, porque não quero só falar. Porque o presidente Trump fala muito e ouve pouco”, afirmou.

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