Como Flávio Bolsonaro entrou na disputa pela mansão de R$ 10 milhões de Richarlison

Uma disputa judicial envolvendo uma mansão de luxo em Angra dos Reis (RJ), avaliada em cerca de R$ 10 milhões, voltou ao centro das atenções após um comentário do atacante Richarlison nas redes sociais.

O jogador do Tottenham afirmou ter perdido o imóvel mesmo depois de desembolsar aproximadamente R$ 10 milhões pela compra, reabrindo um caso que tramita há quase seis anos e que, em determinado momento, levou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a prestar depoimento como testemunha.

Flávio nunca integrou o processo como parte. Seu nome apareceu nos autos porque visitou a propriedade antes da conclusão da negociação e retornou posteriormente ao local acompanhado do advogado Willer Tomaz, amigo pessoal do senador e um dos protagonistas da disputa judicial sobre a posse do imóvel.

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A repercussão começou nesta semana, quando Richarlison respondeu a uma publicação no Instagram sobre o caso. “Realmente gastei em torno de 10 milhões lá. E simplesmente me tomaram. E estou até hoje sem receber a minha grana”, escreveu o atacante.

A postagem original havia sido feita pela advogada especializada em direito imobiliário Ana Paula Zantut. No vídeo, publicado na terça-feira (30), ela utilizava o processo para explicar a diferença entre posse e propriedade de um imóvel.

Após a grande repercussão, o conteúdo foi retirado do ar e a advogada divulgou uma retratação, afirmando que parte das informações apresentadas inicialmente não refletia com precisão o estágio atual da disputa judicial.

Como começou o conflito

A origem do processo remonta a 2020, quando a Sport 70, empresa ligada a Richarlison e ao empresário Renato Velasco, adquiriu a mansão localizada em Angra dos Reis.

Posteriormente, empresas vinculadas ao advogado Willer Tomaz reivindicaram direitos possessórios anteriores sobre a área, sustentando que a ocupação do imóvel antecedia a compra realizada pela empresa do jogador.

Desde então, a discussão passou a girar em torno de um dos temas mais comuns do direito imobiliário: a distinção entre propriedade e posse.

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Enquanto a empresa ligada a Richarlison afirma ter adquirido regularmente a propriedade do imóvel, o grupo representado por Tomaz sustenta possuir direitos possessórios anteriores, capazes de prevalecer sobre o registro da compra.

O caso tornou-se público em setembro de 2022, após reportagem do colunista Guilherme Amado, do Metrópoles.

Decisão do STJ

Em 2025, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) manteve o entendimento favorável à empresa ligada a Willer Tomaz.

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Ao analisar o recurso apresentado pela empresa de Richarlison, o relator, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, concluiu que a revisão do caso exigiria reexaminar provas e interpretar cláusulas contratuais já analisadas pelas instâncias inferiores, providências vedadas nesse tipo de recurso.

“Nesse contexto, não há como afastar a incidência das Súmulas 5 e 7 do STJ, visto que o acolhimento da pretensão recursal demandaria o revolvimento do acervo fático-probatório dos autos e a interpretação de cláusula contratual, procedimentos inviáveis ante a natureza excepcional da via eleita”, registrou o ministro.

Com a manifestação pública de Richarlison nas redes sociais, a disputa voltou a repercutir, trazendo novamente à tona a participação de personagens que, embora não sejam partes do processo, acabaram envolvidos ao longo da tramitação do caso.

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