Crescem casos de falsas vagas no setor de petróleo

Segundo o Anuário de Petróleo no Rio 2026, produzido pela Firjan, há 95 mil empregados em atividades relacionadas ao petróleo no Estado do Rio — grande polo produtor do país há cerca de 50 anos. E a projeção é que mais 1.400 vagas sejam criadas até o fim de 2027. No entanto, o novo ciclo de aquecimento do setor e a atratividade de salários acendem um alerta. Anúncios falsos de empregos e concursos viraram iscas de criminosos na internet.

Grandes empresas, como Ocyan, Modec e Petrobras, têm citado regularmente em seus canais de comunicação oficiais tentativas de golpes, a fim de prevenir pessoas em busca de trabalho no setor.

— A Ocyan tem observado, desde janeiro de 2025, um aumento na frequência de tentativas de golpe contra pessoas interessadas em vagas, com média de pelo menos duas a três ocorrências por mês — relata Mírian Cardoso, gerente executiva de Pessoas e Comunicação da companhia: — Os golpes têm ocorrido principalmente por meio do WhatsApp, no qual indivíduos se passam por recrutadores e solicitam pagamentos para dar continuidade a processos seletivos ou supostamente garantir uma vaga na companhia.

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As abordagens também podem começar por redes sociais e e-mails que simulam comunicações corporativas, copiando logotipos para tentar dar veracidade à comunicação. As justificativas para cobranças são variadas. Nenhuma é real.

— Em relatos recebidos pela Modec, golpistas dizem que é necessário que o candidato faça pagamentos relacionados a exames médicos, treinamentos e cursos ou que compre certificações obrigatórias para a contratação — conta Mariana Dias, coordenadora de Aquisição de Talentos da Ocyan.

As empresas informam não fazer qualquer tipo de cobrança em seus processos seletivos.

Como identificar cilada

Bandidos investem em golpes, pagando por postagens nas redes sociais e links patrocinados em buscadores, para aumentar o alcance das armadilhas. Porém, sinais de perigo são identificáveis. Fabio Assolini, pesquisador líder de segurança da Kaspersky, empresa de segurança cibernética, diz:

— Cobranças via Pix exigem atenção, pois criminosos costumam preferir essa forma de pagamento, pulverizando rapidamente o dinheiro recebido da vítima para outras contas, dificultando o rastreio. Muitas das vezes, o Pix recebedor, seja CNPJ ou em nome de pessoa física, não tem nada a ver com a empresa que é dona de vagas ou com a organizadora da suposta seleção. Esse é o maior sinal de que algo está estranho e deve ser evitado.

A recomendação, então, é checar em sites oficiais das empresas do setor de petróleo e nas agências de recursos humanos conhecidas se a oportunidade de trabalho existe e fazer todo o processo seletivo nesses endereços. Vale lembrar que, mesmo sem pagar taxas, fornecer dados pessoais é um risco.

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Mais de 300 sites mentirosos sobre seleções

A Kaspersky identificou e bloqueou, apenas nos três primeiros meses deste ano, mais de 330 sites criados para divulgação de falsos concursos da Petrobras.

— É uma tática comum pra enganar pessoas interessadas em concursos públicos; outras empresas têm seus nomes usados dessa forma também — diz Fabio Assolini.

Quando o nome da Petrobras aparece em publicações falsas, é acionada a área de segurança corporativa ativa da empresa, que busca responsabilizar os autores nas esferas cível e criminal, revela a gerente-executiva de recursos humanos, Lilian Soncin. Ela explica as três formas básicas de atuação dos bandidos:

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— Uma delas é a exigência de pagamentos para a suposta efetivação em vagas que não existem na companhia ou para o avanço em seleções que não estão em andamento. Outra modalidade é o pedido para que a pessoa informe seus dados pessoais para seguir com a candidatura no concurso falso. E há, ainda, a questão da venda de cursos falsos preparatórios para concursos a partir da utilização de informações sobre processos seletivos antigos da Petrobras.

A estatal não tem concurso público com inscrições abertas, e não há previsão de realização de novo processo seletivo em 2026.

Aquecimento do mercado é real

As oportunidades reais também existem. Segundo a consultoria de recursos humanos Michael Page Brasil, há um crescimento consistente na demanda por profissionais em toda a indústria.

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— Esse reaquecimento é resultado de uma combinação de fatores, como o cenário geopolítico internacional, a busca por maior segurança energética, o avanço de investimentos no Brasil e o desenvolvimento de novos projetos — explica Priscila Monteiro, gerente sênior do setor de óleo e gás da empresa

O movimento envolve empresas de exploração, operadoras de campos maduros, companhias de serviços e empresas de apoio marítimo, além de fornecedores do segmento subsea. Há chances para diferentes níveis de escolaridade, mas existe uma carência especial por técnicos, diz Sergio Castellano, diretor associado da consultoria.

— Além disso, profissionais capazes de combinar conhecimentos de engenharia com análise de dados e ferramentas de inteligência artificial tendem a ganhar ainda mais espaço — afirma o executivo, que vê um cenário atrativo para trabalhadores: — Além dos salários superiores à média, oferece chances em multinacionais, projetos de longo prazo, acesso a tecnologias de ponta e possibilidades de desenvolvimento profissional no Brasil e no exterior.

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‘É preciso buscar sempre a qualificação adequada’

Leia o depoimento de Thiago Valejo, gerente de Projetos de Petróleo da Firjan:

No Rio de Janeiro, uma parte das oportunidades está em alto-mar, nas plataformas e nas embarcações de apoio. Para cada vaga de trabalhar embarcado, há outras duas, em terra, para suportar essa atividade. Para aqueles que trabalham em regime embarcado, a jornada contempla deslocamentos por via aérea ou marítima, que podem se estender por mais de 200 quilômetros da costa. A permanência média é de 14 dias consecutivos em alto-mar, cumprindo as atividades operacionais em turnos, para depois, sim, ter os dias de descanso em terra, que vão variar conforme o regime adotado. Em resumo, é preciso que o profissional procure as vagas que são mais aderentes ao seu perfil e busque sempre a qualificação adequada para sua atuação. Profissionais embarcados com ensino médio completo têm uma diferença de renda de 94% com relação àqueles de mesma escolaridade na população ocupada em geral. Considerando técnicos de nível médio e profissionais operacionais — de suporte administrativo à execução técnica —, o rendimento médio registrado é de R$ 7.159, mais do que o dobro das mesmas categorias ocupacionais em outros segmentos e modelos de trabalho (R$ 3.406).

Formações demandadas

Nível técnico – Segundo Sávio Bueno, gerente de Cenários de Petróleo da Firjan, as carreiras de nível técnico são as que estão no dia a dia da operação do setor de petróleo. Profissões como técnicos em química, elétrica, eletrônica e segurança do trabalho são exemplos de formações para esse mercado.

Onde estudar – Hoje, há 2.064 vagas gratuitas abertas no Estado do Rio para o ensino médio com curso técnico na Firjan Senai Sesi.As inscrições, reservadas a pessoas de renda baixa, podem ser feitas até o próximo dia 12 em escolafirjansesi. com.br/gratuidade. Podem se candidatar jovens com, no mínimo, 14 anos até 31 de dezembro de 2026, que já tenham concluído ou estejam em fase de conclusão do 9º ano do ensino fundamental.

Transversais – Bueno também ressalta que existem formações transversais que atendem a diversos segmentos industriais e são bastante requisitadas pela indústria do petróleo, como mecânica e automação industrial, comandos elétricos, hidráulica e pneumática e operador de processos químicos industrial. No ensino superior, as carreiras vão de Engenharia à área de Saúde.

Senai – Ainda de acordo com Bueno, pelo Senai, outros cursos diretamente associados ao mercado de petróleo e gás com alta demanda de profissionais são os de auxiliar de plataforma e operador de produção offshore, entre outros.



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