- julho 7, 2026
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Egito e Argentina se enfrentam nesta terça-feira (7), pelas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026. E, embora a maior parte das atenções esteja voltada para Lionel Messi, um personagem fora das quatro linhas também pode roubar a cena: o técnico egípcio Hossam Hassan.
Isso porque Hassan foge do padrão adotado pela maioria dos treinadores e frequentemente mistura futebol e política. Um exemplo foi sua reação após a vitória do Egito sobre a Austrália, na fase de 16 avos de final, quando comemorou em campo balançando uma bandeira da Palestina enquanto torcedores entoavam “Palestina livre”. O vídeo viralizou.
Além disso, em entrevista após a partida, ele agradeceu o apoio dos palestinos à seleção egípcia e afirmou que a vitória era dedicada tanto ao povo egípcio quanto ao povo palestino, em referência às comemorações de palestinos que assistiram ao jogo em Gaza.
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“Vimos o quanto o povo palestino está feliz com esta vitória. Que Deus lhes dê força. Dedico esta vitória ao povo egípcio e ao povo palestino”, disse, com as bandeiras dos dois países sobre os ombros.
A manifestação de Hassan chamou atenção tanto por ter ocorrido nos Estados Unidos — aliado de Israel e que, durante a Copa, vem sendo acusado de criar dificuldades para opositores — quanto porque a Fifa costuma reprimir demonstrações políticas dentro de campo.
Desta vez, porém, a entidade afirmou à Associated Press que bandeiras de todas as associações filiadas à federação são permitidas — e a Palestina é uma delas.
Nesta segunda-feira (6), durante entrevista coletiva, Hassan reiterou o apoio e disse que se trata de uma causa de toda a comunidade árabe. “Quem não sente o sofrimento do povo palestino não tem humanidade, não tem dignidade”, afirmou.
“O futebol pode ser usado como uma ferramenta de poder e de mensagem. Eu ouvi essa mensagem. Deixem o povo palestino existir. Deixem que eles vivam uma vida normal. Eles merecem respeito. A humanidade merece respeito. Queremos fair play na vida. É isso que queremos dizer”, completou.

Outras manifestações políticas
O apoio à Palestina não foi a única manifestação política de Hassan. Quando o Egito venceu a Nova Zelândia, o presidente Abdel Fattah al-Sisi enviou uma mensagem de parabéns à equipe. Em resposta, o técnico divulgou uma nota de agradecimento na qual afirmou que a manifestação do chefe de Estado era como “uma medalha em seu peito”.
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Ele também elogiou al-Sisi e disse que o esporte egípcio se desenvolveu muito sob sua gestão. O presidente, no entanto, é um líder militar que está no poder desde 2013 e é acusado de governar de forma autoritária, reprimindo vozes dissidentes.
Em junho do ano passado, Hassan e seu irmão gêmeo, Ibrahim — que trabalha ao seu lado como diretor da seleção — publicaram um comunicado no aniversário dos protestos que precederam a ascensão dos militares ao poder. No texto, chamaram o episódio de “um símbolo de dignidade”.
Como o líder que admira, Hassan também demonstra pouca tolerância a críticas e tem um advogado como porta-voz oficial. Esse mesmo advogado já entrou com processos contra um jornalista e um ex-jogador que o criticaram publicamente.
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Quem é Hossam Hassan
Hossam Hassan é ex-atacante da seleção egípcia e segue como um dos maiores ídolos do país. Atual técnico da equipe, ele defendeu o Egito entre 1985 e 2006 e disputou a Copa do Mundo de 1990.
É o maior artilheiro da história da seleção egípcia, com 69 gols em 176 partidas. Ainda assim, está perto de perder o recorde para outro grande nome do futebol do país: Mohamed Salah.
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Entre seus principais feitos como jogador está a conquista de três Copas Africanas de Nações. Aos 59 anos, Hassan lidera a seleção egípcia naquela que já é a melhor campanha do país em Copas do Mundo.
