- julho 9, 2026
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A operação deflagrada nesta quinta-feira pelo Ministério Público do Rio mira um suposto esquema de desvio de recursos públicos no Instituto Rio Metrópole (IRM), autarquia vinculada à Secretaria de Estado de Governo cuja atual diretoria foi nomeada na gestão Cláudio Castro. Segundo a denúncia do MPRJ, contratos milionários com as empresas Engeconsult e R. Peotta abasteciam um esquema que incluía repasses ao Instituto Bio, empresa de fachada, saques em dinheiro vivo e transporte de alta quantia em dinheiro com escolta armada.
Como funcionava a fraude, segundo o MP
O IRM firmava contratos com duas empresas: Engeconsult Consultores Técnicos Ltda. e R. Peotta Engenharia e Consultoria Ltda.Esses contratos, segundo o MP, somaram mais de R$ 80 milhões e eram a “via formal” pela qual o dinheiro saía dos cofres públicos.
A Engeconsult teve pelo menos dois contratos citados: Contrato nº 012/2022: consultoria para elaboração do Plano Metropolitano de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos, no valor de R$ 2,88 milhões. E também o Contrato nº 06/2023: serviços técnicos de apoio ao IRM, inicialmente de R$ 20,5 milhões, depois elevado por aditivos até R$ 58,29 milhões.
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A R. Peotta firmou o Contrato nº 07/2022, para serviços de engenharia ligados ao sistema de fornecimento de água e ao Centro de Controle Operacional. O valor inicial era de R$ 12,33 milhões e, com aditivos, chegou a R$ 25,09 milhões.
Contratos vagos
Segundo o MP, os contratos eram vagos, amplos e de difícil fiscalização, o que permitia pagamentos sem comprovação clara das entregas. Depois de receberem do IRM, Engeconsult e R. Peotta repassavam dinheiro ao Instituto Bio, que o MP chama de entidade de fachada.
O Instituto Bio era presidido por Caroline Soares Barros. A denúncia diz que a entidade não tinha estrutura compatível para prestar os serviços: não possuía empregados registrados e despesas muito baixas.
A Engeconsult assinou contrato com o Instituto Bio em fevereiro de 2025. O valor inicial era de R$ 451,8 mil, mas subiu para R$ 4,08 milhões em menos de seis meses.
A R. Peotta também repassou dinheiro ao Instituto Bio: quatro depósitos que somaram R$ 555,9 mil, segundo a denúncia.
Depois que o dinheiro entrava no Instituto Bio, Caroline transferia quase tudo para sua conta pessoal.
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Em seguida, ela fazia saques em espécie. Segundo o MP, foram 13 saques, entre maio de 2025 e janeiro de 2026, que somaram R$ 3,02 milhões.
Dois saques foram de R$ 500 mil cada: um em 26 de dezembro de 2025 e outro em 9 de janeiro de 2026.
O transporte do dinheiro era feito com escolta armada da Rioforte Vigilância e Segurança Privada.
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Quem é quem
Todos os seis alvos da operação deflagrada nesta quinta-feira pelo Ministério Público do Rio foram presos. Os investigados são suspeitos de integrar um esquema de desvio de recursos públicos no Instituto Rio Metrópole (IRM).
Davi Perini Vermelho, o Didê: presidente do IRM. Segundo o MP, assinava contratos e aditivos, homologava licitações e atuava como ordenador de despesas.
Maurício Knoploch: diretor de Planejamento e Projetos do IRM e pai do deputado estadual Alexandre Knoploch. A denúncia diz que participou da comissão técnica de licitação e assinou contratos. O deputado não é investigado, segundo o MP.
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Franquis Dias Nepomuceno: delegado da Polícia Civil e diretor do IRM. Segundo o MP, era o elo entre o instituto e a estrutura de circulação do dinheiro. A denúncia também afirma que ele exercia controle de fato sobre a Rioforte.
Marcelo Lopes da Silva: procurador-geral do IRM. Segundo a denúncia, deu cobertura jurídica a atos centrais do esquema, incluindo pareceres ligados à Engeconsult.
Caroline Soares Barros: comissionada do IRM, fiscal de contratos e presidente do Instituto Bio. Para o MP, era a operadora financeira do esquema.
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Amanda Íthala Santos da Paschoal: comissionada do IRM, gestora do contrato com a Engeconsult e fiscal do contrato com a R. Peotta em substituição a Caroline. A denúncia diz que ela é nora de Maurício Knoploch. Cunhada do deputado estadual Alexandre Knoplock

