Concorrência de GLP-1 derruba RD Saúde, mas analistas enxergam entrada atrativa

As ações da RD Saúde (RADL3) despencaram 25% nos últimos seis meses na B3, caminhando na contramão do Ibovespa, que avançou 5% no mesmo período. A causa dessa queda foi a incerteza sobre o mercado de canetas emagrecedoras no Brasil, segundo relatório do Goldman Sachs divulgado nesta segunda-feira (13).

Segundo o documento, o receio do mercado é que a forte concorrência diminua o faturamento da empresa, já que a expiração da patente do Ozempic, a estreia dos concorrentes mais baratos e os descontos para o Mounjaro alimentam o temor de que a queda nos preços médios não seja totalmente mitigada pelo acréscimo de volume esperado.

A análise do Goldman Sachs reduziu as estimativas de lucro líquido da varejista para 2027 em 13%, mas ressaltou que os fundamentos de longo prazo da rede de farmácias permanecem sólidos. Desta forma, apesar de diminuir o preço-alvo de R$ 28 para R$ 25 por ação, os analistas enxergam potencial de valorização superior a 30% em relação aos níveis atuais, reafirmando recomendação de compra.

“Continuamos a vê-la como uma das poucas histórias de crescimento de alta qualidade em nossa cobertura, oferecendo oportunidade de obter exposição a um mercado com um perfil de demanda relativamente inelástico e crescimento estrutural à medida que a população envelhece, além de um histórico consistente de ganhos de participação de mercado”, afirmam os analistas do banco.

Redução no ticket médio

A projeção macroeconômica do Goldman Sachs para o mercado de GLP-1 no Brasil prevê estabilidade em R$ 17,5 bilhões para 2026. Para 2027, entretanto, houve uma revisão do crescimento do setor: antes, era esperado 38%, e agora 32%. Os analistas estimam um faturamento de R$ 23,1 bilhões no mercado formal.

O novo cálculo incorpora um ticket médio de R$ 900, queda de 30% sob projeção anterior de R$ 1.300, compensado por um avanço de 37% nos volumes, que devem atingir 25,5 milhões de caixas comercializadas.

Os analistas reforçam que no caso da RD Saúde, a expectativa é de que o avanço das receitas com esses medicamentos desacelere de 63% em 2026 para 24% em 2027, fazendo com que a categoria responda por 12,5% das vendas totais da companhia.

A projeção também espera que a empresa mantenha uma fatia de 35% nos produtos de referência devido à maior presença de clientes de alta renda, mas deve capturar somente 20% no segmento de genéricos de marca, conhecidos como similares.

O banco detalhou a lógica por trás dessa divisão de participações de mercado na receita da rede de drogarias.

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“Para o segmento de genéricos de marca (“Similares”), esperamos que a RADL3 mantenha uma participação de cerca de 20%, em linha com a participação da empresa no mercado geral de drogarias do Brasil, refletindo os patamares de preços mais amplamente acessíveis da alternativa Similar”, explica o documento do Goldman Sachs.

Valor por unidade

Há muitas variáveis quando se trata de rentabilidade unitária no varejo farmacêutico, mas segundo os analistas, a principal é a categoria do medicamento.

O Goldman Sachs pontua que os medicamentos de referência, ainda operando com margem bruta estreita de 15%, criam ganhos nominais mais altos por unidade.

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Um bom exemplo para ilustrar esse conceito é o Mounjaro, fabricado pela Eli Lilly: o medicamento é comercializado a um preço médio de R$ 1.680, o que garante um lucro bruto de R$ 245 por caixa às farmácias. Por não possuir um substituto direto, esse patamar não deve sofrer pressões imediatas.

Em contrapartida, os medicamentos similares de semaglutida chegam ao consumidor com um preço médio de R$ 420. Com margens de comercialização entre 15% e 20%, o ganho nominal cai para cerca de R$ 70 por unidade, valor 50% menor que o do Ozempic.

Diferente dos genéricos sem marca, que oferecem margens próximas a 50%, os similares exigem prescrição médica específica, demandando investimentos das farmacêuticas em forças de vendas e visitação médica.

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Apesar do cenário atual restrito, o banco projeta que a chegada de novos concorrentes deve devolver o poder de negociação ao varejo no longo prazo.

“À medida que moléculas similares incrementais forem aprovadas, esperamos que a chegada de apresentações adicionais incline o poder de barganha em direção às drogarias, resultando em ganhos graduais de margem bruta nesta categoria de produtos”, diz o texto.

No modelo base para 2027, o Goldman Sachs projeta que os medicamentos de GLP-1 responderão por 6,6% do lucro bruto total da RD Saúde, sendo 5,4% vindos de produtos de referência e 1,2% dos similares de semaglutida, com a margem dos similares evoluindo para 25% no longo prazo.

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Valuation atrativo

Com a desvalorização recente das ações, o Goldman Sachs aponta que o temor do mercado abriu uma oportunidade clara de entrada para o investidor. Negociada atualmente a 17,3 vezes o P/E (Preço sobre lucro) projetado para 2027, a RD Saúde apresenta um desconto de 25% em relação à sua própria média histórica de dois anos.

Esse patamar de preço é visto pelo banco como bastante atrativo para uma empresa que mantém uma projeção consistente de crescimento anual composto de 25% no LPA (Lucro por ação) para os próximos três anos.

Segundo o relatório, o rendimento de lucros projetado de 6% contra a taxa de juros de longo prazo no Brasil de 14,5% deixa o diferencial em 850 pontos-base. Caso esse spread retorne à média histórica de 900 pontos-base, os analistas estimam que o papel teria um potencial de valorização imediata de aproximadamente 10% sobre a cotação atual.



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