- julho 15, 2026
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A equipe de estratégia dos mercados emergentes do JPMorgan tem uma visão favorável para moedas latino-americanas no segundo semestre. Contudo, o banco fez uma distinção importante dentro da região: enquanto elevou o peso colombiano e reiterou a preferência por peso mexicano e peso chileno, o banco optou por seguir neutro em relação ao real brasileiro, citando o avanço do risco eleitoral doméstico e o posicionamento já carregado dos investidores na moeda.
Em relatório, a equipe de estratégia afirmou que o pano de fundo global ainda permite desempenho positivo de moedas de carry (carregamento) na região, mesmo sem uma depreciação mais ampla do dólar. Na avaliação do banco, a combinação de crescimento global resiliente, apetite por risco ainda saudável e aperto gradual do Federal Reserve continua sustentando as moedas de maior juro real, embora a seleção entre países tenha se tornado cada vez mais dependente de fatores idiossincráticos.
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Neste cenário, para o JPMorgan, o real entra no segundo semestre com um perfil menos atraente que seus pares, não por falta de carry, mas por causa da crescente influência da eleição presidencial sobre os ativos locais. O banco afirma que a narrativa eleitoral passou a ser o principal vetor de volatilidade para o câmbio brasileiro e que, com a aproximação do calendário político, o risco local tende a se sobrepor ao benefício do diferencial de juros.
O relatório observa que o real já cedeu 4,5% desde a máxima do ano atingida em maio, quando as perspectivas eleitorais mostraram um maior enfraquecimento de Flávio Bolsonaro. Enquanto isso, parte das pesquisas continua mostrando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva com vantagem relevante em simulações de segundo turno. O JPMorgan cita sondagens como a Atlas Intel, que apontam Lula cerca de 7 pontos percentuais à frente de Flávio, além de dados de mercado de apostas que mostram a maior abertura entre os dois candidatos desde o início da candidatura do adversário.
Na leitura do banco, esse quadro importa porque o real historicamente reage de forma sensível ao ciclo eleitoral. O relatório lembra que, em 2022, a moeda brasileira chegou a se depreciar cerca de 16% antes da terceira vitória de Lula, mesmo com a Selic em patamar elevado. Agora, embora o juro continue alto e ofereça colchão importante para o investidor estrangeiro, o JPMorgan diz que não descartaria novas perdas para o real caso as pesquisas não mostrem recuperação do campo à direita até o prazo de 15 de agosto para mudança de candidaturas.
Além do componente político, o banco chama atenção para a posição técnica da moeda. O real ainda aparece como ligeiramente valorizado em relação ao valor justo estimado pelo modelo do JPMorgan, em torno de 1,5% a 2% acima do fair value, mesmo após a recente correção. Ao mesmo tempo, o posicionamento segue bastante carregado. Pelos dados do IMM, está no percentil 81 em uma janela de dez anos; na pesquisa do próprio banco com clientes de emergentes, o posicionamento comprado em real está no percentil 93 desde 2003. Na prática, isso indica que o mercado já entrou forte na tese de carry do Brasil e que há menos espaço para novas compras marginais, aumentando o risco de realização se o ambiente piorar.
Por isso, o JPMorgan manteve o real em marketweight (exposição em linha com a média do mercado, ou neutra). A projeção do banco para o câmbio também reflete essa cautela. Na visão do banco, o dólar deve encerrar o terceiro trimestre em R$ 5,15, subir para R$ 5,20 no quarto trimestre e voltar a R$ 5,15 no primeiro e no segundo trimestres de 2027. Com isso, não vê uma deterioração desordenada, mas tampouco enxerga gatilhos fortes para uma apreciação sustentada da moeda brasileira no curto prazo.
No pano de fundo macro, o cenário também ajuda a explicar essa neutralidade. O JPMorgan avalia que a política monetária brasileira segue bastante restritiva, mas com espaço menor para novos ajustes. O banco espera a Selic em 13,75% no fim de 2026, abaixo dos 14% embutidos na curva e dos 14,25% atuais. Embora o Banco Central não tenha descartado cortes adicionais de 25 pontos-base, o relatório afirma que a margem para afrouxamento diminuiu e que o risco está mais inclinado para uma pausa, dependendo da leitura do Copom sobre inflação e atividade.
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Enquanto isso, outras moedas da região ganham destaque. O principal movimento do relatório foi a elevação do peso colombiano para overweight. O JPMorgan afirma que o COP ainda pode entregar retorno positivo mesmo após a forte alta do ano, apoiado por juros elevados, perspectiva de governo mais ortodoxo e espaço para continuidade dos fluxos para o mercado local. O banco observa que o peso colombiano já sobe 16% frente ao dólar em 2026, acima dos 8% do real e dos 4% do peso mexicano, e diz que a troca de preferência também reflete a migração do risco eleitoral da Colômbia para o Brasil.
O peso mexicano segue como uma das apostas preferidas do banco, ancorado não apenas no carry, mas também em fundamentos externos robustos. O JPMorgan destaca a melhora do saldo comercial, a continuidade dos fluxos de investimento direto, o ganho de participação do México nas importações americanas e a manutenção do acordo comercial com os Estados Unidos em formato de “negociações contínuas”. Para o banco, o México continua bem posicionado para capturar a reorganização do comércio global e a expansão dos investimentos ligados a tecnologia e inteligência artificial.
Já o peso chileno continua recomendado em posição overweight (exposição acima da média do mercado, equivalente à compra) por um motivo mais ligado a commodities. A equipe do banco espera alta de cerca de 10% no cobre nos próximos seis meses e avalia que o CLP ainda não incorporou plenamente a melhora dos termos de troca. A moeda chilena também pode ser beneficiada se o mercado reduzir apostas excessivamente dovish para os juros locais.
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No agregado, a mensagem do JPMorgan é que o tema de carry (carregamento) continua vivo na América Latina, mesmo em um ambiente de dólar relativamente firme. O banco ressalta que a fraqueza do DXY não é pré-condição para bom desempenho das moedas emergentes de alto rendimento, desde que a volatilidade global permaneça controlada. O principal risco para essa tese seria uma disparada mais forte da aversão a risco, seja por escalada geopolítica no Oriente Médio, seja por um aperto mais agressivo do Fed.
Nesse cenário, o real aparece como uma moeda que ainda oferece juro alto, mas cuja trajetória passou a depender mais da política do que do carrego. Para o JPMorgan, o Brasil não saiu do radar dos investidores, mas deixou de ser uma das histórias cambiais mais atraentes da região.

