- agosto 1, 2026
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O mercado global de crédito paga hoje os juros mais altos em décadas e, ao mesmo tempo, carrega cerca de um terço menos risco do que carregava há alguns anos. A conta é de Wayne Dahl, co-gestor da estratégia de crédito global da Oaktree. Para ele, o brasileiro deve diversificar investindo no exterior, mesmo que tenha juros de pelo menos 14,25% no cenário local.
O especialista participou de painel na Expert XP 2026 ao lado de Frank Rybinski, chefe de estratégia macro da Aegon Asset Management, que alerta para a importância do carrego em detrimento do ganho com fechamento de spreads em todo o mundo.
Para Rybinski, o mercado saiu de um regime e entrou em outro. Na década que se seguiu à crise financeira de 2008, com os bancos centrais mantendo juros próximos de zero, era difícil extrair retorno de renda fixa e o spread – o prêmio de risco pago acima do título público – respondia por praticamente todo o ganho. Hoje, segundo ele, existe uma curva de juros com nível relevante, e o crédito é somado a ela.
O efeito colateral é que os spreads estão apertados em termos históricos. Rybinski diz que isso significa que o retorno virá principalmente do carrego e da seleção – não de um ganho de capital com fechamento de spreads.
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O que evitar ou comprar
Os dois gestores concordam que há oportunidades na renda fixa global, mas a seletividade importa. Dahl recorre a uma máxima de Howard Marks, sócio-fundador da Oaktree: “em crédito, é preciso evitar os perdedores e deixar que os vencedores se resolvam sozinhos, já que um único erro pode consumir o ganho de vários acertos”.
Ele prega cautela com empresas de software, dependentes de refinanciamentos, e construtoras, expostas a juros mais altos. Rybinski acrescenta que o investidor deve evitar empresas que dependem de financiamento constante.
Do lado dos que compram, Rybinski citou hipotecas de agência – títulos lastreados em financiamentos imobiliários residenciais – com yield na casa de 5% e duration curta, e operações específicas de CMBS, papéis lastreados em hipotecas de imóveis comerciais, que, segundo ele, exigem análise imóvel a imóvel.
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Dahl ainda reforça o crédito imobiliário, argumentando que os preços de imóveis nos Estados Unidos subiram cerca de 50% nos últimos anos, o que melhorou a relação entre dívida e valor do imóvel nessas estruturas. A ideia é usar o segmento para diversificar além do risco corporativo tradicional.
Questionados sobre qual o melhor argumento para o investidor alocar em crédito global, os dois resumiram a resposta em uma palavra: diversificação. Rybinski recorreu à teoria do portfólio: ativos em outro país, sob outra política monetária, ampliam o conjunto de oportunidades. Ele pondera que não é preciso desfazer as posições brasileiras.


