Uefa diz ter perdido confiança em Infantino e exige reformas na Fifa

A Uefa afirmou neste sábado (1º) que perdeu a confiança na liderança de Gianni Infantino na Fifa, em meio à crise gerada pela desistência de um plano de investimentos privados na entidade. Em comunicado, a confederação europeia acusou o presidente de não cumprir promessas de transparência feitas em 2016. “O atual comando perdeu não apenas a confiança da Uefa, mas também de muitos outros membros”, diz o texto, classificando o plano como “obscuro, feito de porta fechada”.

A proposta, revelada na terça (28), criaria uma subsidiária — Fifa Forward Enterprise — para gerir as Copas do Mundo, permitindo que investidores comprassem participações minoritárias. O JP Morgan estruturou o negócio, e a Thrive Eternal, de Joshua Kushner (cunhado de Donald Trump), lideraria o grupo de investidores. O plano previa expandir torneios para gerar pagamentos de 24 milhões de euros por associação no ciclo 2035-2039.

A reação foi imediata. Na quinta (30), a Uefa votou pelo boicote às Copas caso o plano seguisse. Concacaf e AFC também se posicionaram contra. Sob pressão, Infantino recuou e desistiu da proposta no sábado.

Mas o recuo não conteve as críticas. A Uefa cobrou a responsabilização dos envolvidos, prometeu criar mecanismos para evitar novos episódios e defendeu o uso do dinheiro “ocioso” da Fifa para o futebol de base. “Não precisamos vender as joias da família para pagar por isso. Esta é uma vitória para o jogo, mas reconstruir a confiança na Fifa apenas começou.”

A dois meses do Congresso da Fifa em março, quando buscará a reeleição para um quarto mandato, Infantino enfrenta pressão crescente. Carlos Cordeiro, seu consultor sênior, renunciou classificando a proposta como “mau negócio que hipotecaria o futuro do esporte”. A Federação Inglesa pediu “revisão robusta da liderança e governança da Fifa”.



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