- agosto 11, 2026
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A JSL (JSLG3) divulgou nesta segunda-feira (10) os resultados do segundo trimestre de 2026. A companhia registrou lucro líquido de R$ 12 milhões no período, queda de 43,7% ante os R$ 21,4 milhões do 2T25. Já na modalidade ajustada, o lucro somou R$ 30,2 milhões, recuo de 16,6% na comparação anual, mas alta de 366,2% frente ao trimestre imediatamente anterior, quando havia ficado em R$ 6,5 milhões.
O lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda, na sigla em inglês) ajustado ficou em R$ 493,7 milhões, com margem de 19,8%, praticamente estável ante os 20,6% do 2T25 e em linha com o 1T26.
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Em entrevista ao InfoMoney, o CEO da companhia, Guilherme Sampaio, atribuiu a melhora sequencial do lucro à trajetória de desalavancagem da companhia, que começou a se refletir com mais força no resultado financeiro. Segundo ele, o tamanho da dívida foi o fator determinante tanto na comparação trimestral quanto na anual.
“Isso é fruto da estratégia de desalavancagem da companhia. Então você vê claramente esse benefício sendo traduzido no lucro. Você já deve ter me ouvido falar que o que faltava para a JSL era traduzir o ganho que ela teve operacional ao longo dos anos no lucro. Então melhorava mais dívida e o lucro líquido ia patinando. Então agora você começa a ver essa tradução real”, afirma.
A receita bruta consolidada somou R$ 2,9 bilhões no trimestre, alta de 5,5% frente ao 2T25. A receita bruta de serviços cresceu 6,3%, para R$ 2.850,7 milhões. Excluindo o efeito da redução intencional de contratos não rentáveis — que retirou cerca de R$ 150 milhões da base de comparação — o avanço da receita de serviços chega a 10,4%, já em patamar de dois dígitos.
A alavancagem medida pela relação dívida líquida/Ebitda encerrou o trimestre em 2,74x, redução de 0,4x na comparação anual. Considerando os efeitos do IFRS 16 (passivo de arrendamento), o indicador caiu de 3,6x para 3,2x no mesmo intervalo.
Churn maior por decisão própria
Sampaio explicou que o resultado do trimestre também foi pressionado por um volume mais alto de custos de desmobilização, decorrente da saída voluntária de contratos considerados pouco rentáveis. A taxa de renovação de contratos, historicamente entre 97% e 98%, caiu para 93% no período.
“Eu tenho 5% ali que eu optei por não renovar. A minha discussão com o cliente era: não vamos continuar”, afirmou o CEO, citando papel e celulose e o transporte de grãos no agronegócio como os únicos segmentos em retração dentro do portfólio da companhia — mesmo assim, sem sinalizar saída definitiva desses setores. Segundo ele, o maior contrato entre os fechados no trimestre foi justamente do setor de papel e celulose.
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Os novos contratos assinados no trimestre somaram R$ 2 bilhões, com prazo médio de 60 meses, totalizando R$ 2,7 bilhões no semestre.
“Não é uma questão do setor. Era uma questão específica onde não havia o entendimento nosso e do cliente em seguir o casamento”, afirmou Sampaio sobre a estratégia de seletividade de contratos que vem moldando o crescimento da companhia neste ciclo.
A companhia também citou a volatilidade nos preços dos combustíveis e a tramitação da nova Lei do Frete Mínimo, sancionada em 5 de agosto, como fatores que pressionaram a relação com clientes e caminhoneiros terceiros ao longo do semestre.
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“Foi um trimestre com bastante pressão nas relações”, disse Sampaio, que espera um segundo semestre mais estável agora que a lei já está em vigor.
Capex menor, mais aluguel de ativos
O capex bruto somou R$ 69 milhões no trimestre, R$ 57 milhões a menos que no 2T25, refletindo a estratégia da companhia de priorizar aluguel de ativos em vez de aquisição. As vendas de ativos (R$ 91,9 milhões) superaram os investimentos, contribuindo com R$ 22,9 milhões para o caixa.
A geração de caixa após crescimento — métrica que já considera pagamento de juros, arrendamentos e aquisições — somou R$ 164 milhões no trimestre, o quarto consecutivo de geração positiva, acumulando R$ 861 milhões nos últimos doze meses. O free cash flow yield do período ficou em 56,3%, e o ROIC running rate dos últimos doze meses, em 14,6%.
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Reorganização societária e as três unidades
A JSL segue avançando na separação de suas operações em três empresas: JSL Serviços Dedicados, JSL Digital e Intralog. Como próximo passo, a unidade de Serviços Dedicados será dividida em duas companhias independentes — uma voltada à frota própria e outra à operação com agregados e terceiros.
“Queremos assegurar que temos empresas independentes, cada uma com a sua expertise andando de forma paralela. Com isso, asseguramos o crescimento do negócio na direção que queremos”, diz.
Segundo Sampaio, a meta é concluir a separação legal das novas empresas até novembro ou dezembro deste ano, embora o cronograma dependa de trâmites regulatórios e de licenças que fogem ao controle da companhia. “Tem coisas que a gente não controla, principalmente licenças”, afirmou, citando processos que passam por órgãos como Polícia Federal e Anvisa.
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No trimestre, a receita bruta de serviços da JSL Digital cresceu 61,8% ante o 2T25 (42,3% ao excluir o efeito da migração do transporte de grãos, que passou de Serviços Dedicados para a unidade digital). Serviços Dedicados cresceu 2,0%, puxado pela operação de Agregados e Terceiros (+22,0% ex-efeitos); a Frota Própria recuou 0,9% (ou avançou 5,2% ex-efeitos). A Intralog cresceu 7,5%, resultado da maturação de contratos fechados no primeiro semestre.
Por setor, os destaques de crescimento foram automotivo e e-commerce em Serviços Dedicados; siderurgia, mineração e químicos na Frota Própria; aeroportuário e automotivo na Intralog; e e-commerce (+265% ano contra ano) e siderurgia/mineração (+77%) na JSL Digital.
Neste ano, a JSL também completa 70 anos — fundada em 1956 por um imigrante português, a companhia abriu capital em 2010 e, em 2020, passou por reorganização societária que deu origem à Simpar como holding.
Guidance para 2030
A companhia reforçou, na divulgação do trimestre, o guidance de receita bruta de R$ 21,4 bilhões para o ano-calendário de 2030 — crescimento médio de 14% ao ano em relação a 2025. A projeção mais do que dobra o tamanho atual da companhia e se apoia no histórico dos últimos cinco anos, período em que a receita saltou de R$ 3,3 bilhões para R$ 11,6 bilhões, crescimento médio anual de 25%.

