- agosto 11, 2026
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- Category: Notícias
A Vale (VALE3) tem dividido opiniões entre as principais casas de análise, com visões positivas e cautelosas para as ações em meio à cautela com o minério de ferro, mas visão positiva para as operações.
Após o Itaú BBA defender, em relatório divulgado nesta semana, que a mineradora ainda apresenta uma relação risco-retorno atrativa mesmo diante da queda do minério de ferro, a UBS BB manteve uma postura mais cautelosa, reiterando recomendação neutra para as ações da companhia. Enquanto isso, o Bradesco BBI segue entre as casas mais construtivas para o papel, apostando que o mercado está próximo de um fundo cíclico para o minério de ferro.
O debate ocorre em um momento em que os preços da commodity voltaram a perder força e os investidores buscam entender se a recente correção das ações da Vale representa uma oportunidade de compra ou um reflexo da deterioração dos fundamentos do setor.
Na segunda-feira, o Itaú BBA manteve recomendação de compra para a Vale, argumentando que os preços do minério estão cada vez mais descolados dos custos de frete. Segundo o banco, o frete spot nas rotas Austrália-China e Brasil-China atingiu níveis elevados, equivalendo hoje a 16% e 36% do preço do minério, respectivamente, bem acima das médias históricas de 8% e 20%. Para os analistas, essa distorção tende a ser corrigida e sugere que o mercado pode estar próximo de um piso cíclico.
O BBA também destacou que a Vale negocia com um fluxo de caixa livre (FCF yield) estimado em 8% para 2027, superior aos cerca de 5% observados entre concorrentes globais, além de apontar que a companhia segue apresentando boa execução operacional mesmo após elevar suas projeções de custos para os próximos anos.
O Bradesco BBI tem visão similar e manteve recomendação outperform (desempenho acima da média do mercado) e preço-alvo de US$ 19 por ação, destacando que a mineradora acumulou desempenho 15% inferior ao de pares australianos nos últimos meses, refletindo a combinação de minério mais fraco, valorização do real e aumento dos fretes marítimos.
Para o BBI, porém, a assimetria ficou ainda mais favorável. O banco avalia que os preços do minério de ferro estão cada vez mais próximos do custo marginal de produção da indústria e que mais de 120 milhões de toneladas da oferta marítima global já operam abaixo desse nível, o que tende a reduzir pressões adicionais de queda e incentivar ajustes na oferta.
Além disso, a casa chama atenção para o fato de que os custos elevados de transporte continuam comprimindo artificialmente os preços da commodity. Atualmente, os fretes representam cerca de 16% do valor do minério na rota Austrália-China e 36% na rota Brasil-China, patamares considerados insustentáveis pelo banco e compatíveis com mercados próximos de um fundo cíclico.
Na semana passada, os estrategistas do BBI destacaram ainda que o minério de ferro avançou US$ 1 por tonelada, para US$ 95/t, apoiado por dados da balança comercial chinesa acima das expectativas. Em julho, o superávit comercial da China alcançou US$ 112,5 bilhões, superando tanto o resultado do ano anterior quanto as projeções do mercado. Os analistas também observaram uma melhora pontual de indicadores da cadeia siderúrgica, com recuperação da utilização dos altos-fornos e crescimento de 11% nas negociações de aço para construção, movimento que pode indicar o início de uma recuperação sazonal da demanda. Apesar disso, os estoques de minério e aço seguem elevados, acumulando alta anual de 21% e 22%, respectivamente.
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Outro ponto positivo destacado pelo Bradesco BBI é a própria operação da Vale. A instituição espera que a produção alcance cerca de 345 milhões de toneladas em 2027, impulsionada pela expansão do S11D, ao mesmo tempo em que projeta queda gradual dos custos operacionais a partir de 2027. Mesmo após elevar sua estimativa de custo total para US$ 56 por tonelada, ante US$ 51 anteriormente, o banco ainda prevê redução de US$ 3/t frente a 2026 e de US$ 6/t em relação aos níveis observados no segundo trimestre deste ano.
Já o UBS BB vê a situação de forma diferente. Em relatório intitulado Against the Flow (“Contra o Fluxo”, em tradução livre), os analistas afirmam que a tese de investimento da Vale depende cada vez menos dos fundamentos do minério de ferro e mais do comportamento dos fluxos globais para mercados emergentes e ativos ligados a commodities.
Segundo a casa, a mineradora passou a se comportar como uma aposta macroeconômica sobre metais e emergentes. Essa dinâmica teria beneficiado as ações ao longo dos últimos meses, em meio à busca global por ativos reais e à expectativa de dólar mais fraco e juros menores nos Estados Unidos. Porém, desde o início do conflito no Irã, parte dessas condições favoráveis perdeu força.
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“Ações da Vale se transformaram em um ‘duplo play’ de metais e fluxo para emergentes”, afirmam os analistas da UBS, acrescentando que a continuidade desse movimento ficou menos previsível.
Além dos fluxos, os analistas do UBS BB argumentam que os fundamentos da commodity seguem frágeis. O banco destaca que os preços do minério já recuaram para a região de US$ 95 por tonelada em meio ao aumento da produção australiana e ao avanço gradual de Simandou, na Guiné, enquanto a economia chinesa continua mostrando sinais de desaceleração. Na avaliação da instituição, a oferta global cresce mais rapidamente do que a demanda e esse desequilíbrio poderá se intensificar nos próximos anos.
Ainda assim, o banco reconhece que a divisão de metais básicos da Vale continua sendo um dos ativos mais atrativos do setor. A instituição ressalta o potencial de crescimento da produção de cobre ao longo da próxima década, mas pondera que essa tese ainda não é suficiente para compensar a exposição dominante da companhia ao minério de ferro.
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O contraste mais evidente aparece no valuation: Itaú BBA e Bradesco BBI enxergam uma ação negociando com desconto relevante frente às mineradoras australianas e oferecendo retorno de fluxo de caixa superior ao dos pares, já o UBS BB vê que esse desconto já não é tão expressivo quando considerados todos os ajustes necessários na estrutura de capital e nas métricas operacionais da companhia.

