- agosto 15, 2026
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Um drawdown de 77 pregões foi suficiente para fazer um trader experiente questionar se o próprio operacional ainda funcionava.
A sequência ocorreu em 2024 e marcou uma das fases mais difíceis de sua carreira, em que a demora para recuperar a curva colocou à prova a confiança construída ao longo de anos no mercado.
Caio Scotte foi o convidado do episódio 84 do GainDelas, programa do canal GainCast.
O trader relembrou o drawdown de 2024 e explicou como a visão de longo prazo, o acompanhamento por unidade de risco e o diário de trade sustentaram a decisão de seguir executando um método que, no curto prazo, havia deixado de produzir ganhos.
77 pregões sob pressão
Em 2024, Scotte passou por um dos períodos mais difíceis da carreira. Foram 77 pregões convivendo com o drawdown, sem saber quando a curva voltaria a reagir.
A duração ampliou a pressão sobre cada nova operação e colocou à prova a confiança construída nos anos anteriores. “Eu fiquei 77 pregões em drawdown, 77 pregões”, revela.
À medida que a curva demorava a se recuperar, o problema deixou de ser apenas financeiro e avançou sobre a confiança no operacional. Mesmo com anos de experiência, Scotte passou a questionar se aquilo que vinha executando continuava funcionando.
A dúvida atingiu o centro da tomada de decisão. “Será que tá funcionando ou não?”, lembra.
Para atravessar o período sem abandonar o método, o trader recorreu à experiência acumulada. A segurança não surgiu do pregão seguinte, mas dos testes, operações e registros construídos anteriormente.
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Assim, o histórico serviu como referência quando a curva recente já não oferecia respostas positivas. “Só tendo a confiança através daquele trabalho árduo que você fez ao longo de muito tempo”, explica.
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Curva além do mês
Scotte afirma estar 17,98R negativo no mês, enquanto o dashboard indica aproximadamente 420R positivos no ano. A diferença entre as janelas mostra como uma janela curta pode distorcer a avaliação.
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Por isso, semanas e meses deixaram de servir como vereditos sobre a estratégia. “Eu não olho mais curva — se eu fechei semana positivo. Eu não olho mais se eu fechei mês positivo”, afirma.
O “R” representa uma unidade de risco definida antes da operação e permite comparar resultados sem depender apenas dos valores em reais. Uma perda de 1R corresponde ao risco previsto para um trade, enquanto os ganhos usam a mesma referência.
Essa padronização ajuda a enxergar a curva além do saldo recente. “Ao longo do ano estou mega pra frente”, observa.
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Entretanto, ampliar o horizonte não significa ignorar o desempenho negativo ou supor que todo método voltará a funcionar.
Scotte mantém o acompanhamento dos números, mas evita transformar uma janela curta em motivo para alterar regras testadas sob pressão.
Para ele, a urgência de recuperar rapidamente o resultado pode produzir decisões ainda piores.
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Diário contra a dúvida
Além disso, Scotte registra as operações em uma planilha transformada em dashboard. O material reúne entradas, saídas, riscos e resultados para confrontar a execução com o plano.
Quando a confiança diminui, o histórico oferece evidências mais concretas do que os últimos pregões. “É importante fazer um diário de trade. É importante documentar. É importante você conhecer seus números”, enfatiza.
Nos pregões em que opera, Scotte apresenta as operações no Diário do Trade, transmissão no YouTube.
Até o episódio, o projeto acumulava 37 pregões documentados com compras, vendas, gain e loss. A exposição acrescenta responsabilidade à execução e cria apoio em períodos de pressão. “Eu nunca mais na minha vida opero sozinho. Nunca mais”, assegura.
A revisão ajuda a identificar operações indevidas ou riscos diferentes dos previstos. Em vez de avaliar o dia pelo saldo, Scotte retorna aos registros para verificar se repetiu o processo.
Assim, um resultado positivo não encobre uma execução ruim, enquanto um stop correto permanece parte do método. “Talvez esse trade eu não teria feito assim”, reconhece.
Suportar um drawdown não significa insistir cegamente. Antes de continuar, o trader precisa encontrar evidências de vantagem e conhecer o comportamento esperado de perdas e ganhos.
Sem essa base, permanecer operando deixa de ser disciplina e se transforma em esperança. “Esse modelo tem grana, tem vantagem matemática? Faz. Não, não tem? Não faz”, defende.
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