- agosto 15, 2026
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O ex-presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP), confirmou neste sábado a candidatura ao Senado por Alagoas. Ele esperava a definição do ex-prefeito JHC que, definiu concorrer pelo governo do estado.
Na declaração de bens, Lira registrou um patrimônio de R$ 25 milhões. Esse valor é 265% maior do que o de 2022, quando havia informado possuir R$ 7 milhões (valor corrigido pelo IPCA) à Justiça Eleitoral. Entre os novos bens, estão imóveis como uma propriedade rural em Quipapá (PE) de R$ 3,6 milhões e uma casa em Brasília de R$ 2,1 milhões, ambos registrados como financiados.
No momento do registro da candidatura, apenas Lenilda Luna (UP) e Márcio Jambo (Democrata) estavam oficalizados para concorrer ao governo do estado, e Alexandre Fleming (UP), Davi Davino Filho (Republicanos) e Mariedson (Democrata) para o Senado. O prazo se encerra às 19h.
Além disso, o grupo político adversário de Lira, formado por Renan Filho (MDB) e Renan Calheiros (MDB), também não aparecem no portal de divulgação da Justiça Eleitoral.
De acordo com o colunista do GLOBO Lauro Jardim, JHC havia dito na última quinta-feira que seria candidato ao Senado numa reunião fora da agenda. Agora, o ex-prefeito vai enfrentar a família Calheiros, apoiada por Lula, mas evita entrar em rota de colisão com o seu aliado Arthur Lira.
Na avaliação de diferentes forças políticas de Alagoas, JHC poderia ter mais chances de vitória em uma disputa pelo Senado do que pelo governo. Para o Senado, o estado elegerá dois representantes em 2026, enquanto apenas um candidato será eleito governador. No entanto, ele é competitivo nos dois cenários.
Indefinição
No ano passado, quando ainda estava filiado ao PL , o ex-prefeito se reuniu com o presidente Lula para viabilizar a indicação da sua tia, Marluce Caldas, como ministra do STJ. Relatos de pessoas envolvidas nas tratativas, à época, apontaram que naquele momento ele fechou um acordo com Lula para disputar uma das duas vagas ao Senado neste ano. Com isso, Renan Filho seria o franco favorito para voltar a ser governador do estado.
JHC saiu do PL no final de março, quando foi destituído do comando estadual do partido pelo presidente nacional, Valdemar Costa Neto. O ex-prefeito ficou insatisfeito por não ter autonomia para formar sua chapa, uma vez que o partido já tinha uma vaga reservada justamente a Lira, e passou a presidir o diretório local do PSDB disposto a organizar seu próprio arranjo.
Nos últimos dias, Flávio Bolsonaro fez um aceno a JHC, sugerindo que sua mulher, Marina Candia (PSDB), concorra ao Senado ao lado de Lira. A sugestão de Flávio agradava a JHC e acabou se confirmando, mas é vista por Lira como prejudicial a seus planos, por acentuar a concorrência.
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Interlocutores de Lira e de Lula mostravam nos bastidores irritação com o ex-prefeito, que também é pressionado pelo avanço de uma investigação da Polícia Federal sobre aportes da capital alagoana no Banco Master durante sua gestão.
Na segunda-feira, a PF deflagrou operação para apurar o que levou o instituto de previdência de Maceió a comprar R$ 97 milhões em papéis do Master, posteriormente liquidado por gestão fraudulenta. No mesmo dia, JHC foi ao encontro de Lula em Brasília, segundo interlocutores do presidente e do ex-prefeito.
Dois dias depois, o Senado aprovou uma mensagem presidencial enviada por Lula que autoriza a prefeitura de Maceió a contrair um empréstimo de US$ 150 milhões com o Banco dos Brics, dirigido pela ex-presidente Dilma Rousseff. A mensagem foi relatada por Eudócia Caldas, que associou a liberação dos recursos à implantação de um corredor BRT com 450 novos ônibus, projeto apresentado como uma das vitrines da gestão de JHC em Maceió.
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