Após liberação, Renan Santos participa de protesto pedindo impeachment de Toffoli

O presidenciável Renan Santos (Missão) participa de um protesto na Avenida Paulista, em São Paulo, na noite nesta desta terça-feira (1º), para pedir o impeachment do ministro Dias Toffoli (STF). O ato ocorre horas depois de uma decisão do magistrado ter liberado que o candidato voltasse a usar as redes sociais e a participar de sabatinas e debates.

— Vão ser dois pedidos de impeachment, um contra o Toffoli e outro contra o Moraes — disse Renan no início do ato, em referência também à divulgação de novas ligações entre o ministro Alexandre de Moraes (STF) e Daniel Vorcaro, do Banco Master.

Na segunda, Toffoli, em uma decisão monocrática, determinou que a campanha de Renan tinha utilizado perfis irregulares nas plataformas digitais para fazer campanha eleitoral. Ao registrar a candidatura, o candidato tinha informado dois perfis por meio dos quais faria campanha. Toffoli escreveu, no entanto, que o Missão só reportou a existência de 16 canais nas redes sociais 12 dias após o registro da candidatura e que vinha fazendo campanha também por meio deles. A prática violaria a legislação eleitoral e resoluções do tribunal, que determinam a obrigação de informar todos os perfis no momento do registro.

Nesta terça, no entanto, o ministro liberou a utilização das redes sociais e a participação em debates e sabatinas, assim como o acesso ao fundo eleitoral. Segundo Toffoli, a medida cautelar tinha como objetivo congelar a situação irregular para que a Justiça Eleitoral pudesse investigar os perfis que foram informados posteriormente. A coleta de provas foi feita e a equipe do candidato enviou os dados que foram requeridos pelo ministro, como a data de criação e uso das contas.

O processo foi enviado para a Procuradoria-Geral Eleitoral, que pode avaliar o caso e decidir se pedirá sanções contra o candidato.

O ato desta terça é realizado no vão livre do Museu de Arte de São Paulo (Masp). Outras manifestações também foram marcadas pelo Missão em outros estados, antes da liberação de Toffoli.

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Em coletiva de imprensa minutos antes da decisão, Renan afirmou que iria descumprir as restrições impostas pelo ministro.

— Eu já falei outras vezes, decisão ilegal não se cumpre, então eu vou colocar meus vídeos à disposição pra qualquer um e se alguém postar não tem nenhum problema. Ah, mas você está descumprindo decisão. Essa decisão é ilegal, eu sequer reconheço o ministro legítimo, então eu vou continuar usando todos os meios possíveis pra que nossa campanha seja feita — disse o candidato.

Renan também afirmou que o protesto seria direcionado contra Alexandre de Moraes, que também será alvo de um pedido de impeachment por parte do Missão, diante dos diálogos revelados nesta terça entre o ministro e o banqueiro Daniel Vorcaro.

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O candidato ainda agradeceu aos presidenciáveis Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo), que mandaram mensagens de apoio após as limitações de Toffoli e comentou o crescimento de Augusto Cury (Avante) nas pesquisas de intenção de voto.

— Sobre Augusto Cury, a República está passando por momentos de crise. Ele é uma pessoa que nunca se posicionou em nenhum momento de crise. Ele é um pastel de vento. Só que uma parte importante da população quer comer um pastel de vento porque ela está cansada das brigas políticas — disse Santos.

Candidaturas do Missão se apoiam em estratégia de ‘guerrilha digital’ e na visibilidade de Renan

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Como mostrou O GLOBO, sem marqueteiro, Renan e a equipe apostam em uma estrutura de “guerrilha digital” para alavancar a candidatura do empresário — e também dos candidatos a deputado da legenda. Nessa “guerrilha”, os apoiadores do Missão são incentivados a produzirem e compartilharem cortes de vídeos do candidato nas redes sociais em diferentes frentes.

Com as limitações imposta por Toffoli, por exemplo, desde segunda o aplicativo o partido Missão e os grupos de WhatsApp foram inundados por pedidos de compartilhamento do vídeo do pronunciamento do candidato sobre o caso.

O entorno do candidato elenca como principal dificuldade o desconhecimento do eleitor sobre Renan, e usa como exemplo as primeiras eleições nacionais do Novo, em 2018, com João Amoêdo, em que ele obteve apenas 3% dos votos para presidente, mas o partido conseguiu eleger oito deputados federais, onze deputados estaduais, um deputado distrital e um governador.

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A candidatura não tem nenhum marqueteiro que centralize o marketing político da campanha e alguns movimentos são feitos na base do “feeling”. A escolha do candidato a vice, o militar da reserva Aroldo Medina, anunciado na chapa de Renan após um ato no Rio Grande do Sul, em julho, foi feita pelo candidato durante um evento na cidade de Caxias do Sul e pegou a todos de surpresa. Até então, Medina era cotado para disputar uma vaga ao Senado pelo partido.

Além da chapa à presidência, o Missão registrou 540 candidaturas.



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