- setembro 6, 2026
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Pinheiros é a mais nova aposta da Accor na hotelaria premium em São Paulo. Instalado no antigo Hilton Garden Inn Rebouças, o Grand Mercure São Paulo Pinheiros alcançou ocupação de 70% poucos meses após sua abertura e, segundo cálculos do InfoMoney, já pratica diárias pelo menos 20% superiores às cobradas antes da conversão do empreendimento.
Em entrevista ao InfoMoney, Abel Castro, Chief Development Officer (CDO) da Accor Américas, afirmou que o hotel, inaugurado oficialmente na quinta-feira (3), reúne os três principais pilares da estratégia de crescimento da companhia: franquias, conversão de ativos já existentes e expansão das marcas premium. “O Grand Mercure representa esses três eixos: é uma franquia, uma conversão e carrega uma marca premium”, afirmou o executivo.
O hotel conta com 170 apartamentos, restaurante, bar e academia, além de integrar um complexo de uso misto na Avenida Rebouças. O imóvel pertence atualmente à gestora CVPAR Capital, que firmou acordo para adquiri-lo da HBR Realty por R$ 110 milhões. A operação está sob responsabilidade da Atrio Hotel Management.

Diária mais alta
O empreendimento encerrou agosto, seu segundo mês sob a bandeira Grand Mercure, com ocupação média de 70%, repetindo o desempenho registrado em julho. A diária média atualmente supera R$ 800, sem café da manhã incluso.
Antes da conversão, o Hilton Garden Inn operava com diárias na faixa de R$ 650, segundo informações divulgadas pela antiga administradora ao portal Metro Quadrado. A mudança para a bandeira Grand Mercure representa, portanto, um aumento superior a 20% no preço médio das hospedagens.
Segundo Castro, o avanço das tarifas não decorre apenas da troca de marca, mas de um reposicionamento da experiência oferecida ao hóspede. “A gente não consegue aumentar a diária com o mesmo produto. Se era R$ 500, o cliente pagava R$ 500. Não é só porque mudou a marca que, no outro dia, ele vai pagar R$ 800. Ele tem que sentir essa mudança”, afirmou.
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De acordo com o executivo, a conversão envolveu melhorias em diferentes frentes da operação, incluindo decoração, mobiliário, café da manhã e padrão de atendimento. Como parte do conceito da bandeira, o hotel também passou a incorporar elementos da cultura brasileira na ambientação e na gastronomia.
“Já mudamos vários detalhes do hotel, como móveis, tapetes e decoração. O Grand Mercure é caracterizado de acordo com o país em que está inserido, seja nos ornamentos, na música ou na gastronomia. Também fizemos um upgrade do café da manhã e estamos elevando bastante o nível de serviço”, disse.
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Castro destaca que o processo de conversão foi particularmente bem-sucedido, já que hotéis que trocam de bandeira costumam registrar perda temporária de demanda.
“Quando fazemos uma conversão, normalmente a ocupação cai porque a rede anterior tende a direcionar seus clientes para outros hotéis do próprio sistema. No caso do Grand Mercure, o segundo mês já repetiu os 70% de ocupação. Em geral, trabalhamos com um ramp-up de 30%, depois 50%, para só atingir 70% no terceiro ou quarto mês. Desta vez, foi mais rápido”, afirmou.
A aposta no “SoHo de São Paulo”
Para a Accor, a escolha de Pinheiros vai além da localização do empreendimento e reflete uma aposta na transformação urbana da região. Ao explicar o racional por trás do investimento, Castro comparou o bairro paulistano ao SoHo, em Nova York, conhecido por combinar moradia, escritórios, comércio, gastronomia e entretenimento.
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“Para nós, Pinheiros representa o SoHo de Nova York, com um enorme desenvolvimento de residências, escritórios e outras estruturas”, afirmou. Segundo ele, a região reúne atributos cada vez mais valorizados pelos viajantes urbanos, que buscam explorar o entorno do hotel a pé e consumir a experiência do bairro.
A percepção sobre o potencial da região foi tão relevante que a Accor decidiu abandonar a referência à Avenida Rebouças e renomear a propriedade como Grand Mercure São Paulo Pinheiros. A companhia também aposta em uma demanda mais diversificada do que a tradicional clientela corporativa, combinando executivos durante a semana e turistas de lazer nos fins de semana.
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“Durante a semana, o hotel tem uma vocação muito mais corporativa. Já nos fins de semana, trabalhamos o lazer. Recebemos famílias que vêm para shows, formaturas, casamentos ou outros eventos na cidade”, disse Castro. Na visão da rede, a combinação entre negócios, gastronomia, cultura e entretenimento é o diferencial que sustenta a aposta em Pinheiros.
O movimento faz parte de uma estratégia mais ampla de fortalecimento da presença da Accor no segmento premium. Com a inauguração do Grand Mercure São Paulo Pinheiros, a companhia passa a operar 12 hotéis premium no Brasil, sendo oito da bandeira Grand Mercure, três Pullman e o Hotel Jequitimar Guarujá Resort & Spa by Accor. Atualmente, a rede soma mais de 320 hotéis no país e mantém um pipeline de cerca de 60 empreendimentos com contratos assinados, incluindo o futuro Faena São Paulo, previsto para 2029 no próprio bairro de Pinheiros.

