Canadá ignora ameaças de Trump e celebra ‘nova aliança’ com a União Europeia

O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, ignorou as ameaças de Donald Trump e celebrou nesta quinta-feira, 17, a ideia de uma “nova aliança” de seu país com a União Europeia (UE), apresentada como uma garantia de “autonomia estratégica”.

“Os canadenses estão unidos na convicção de que ninguém vai nos dizer que idioma devemos falar, ninguém vai ditar a nossa cultura nem com quem podemos assinar acordos internacionais”, declarou Carney à imprensa no Parlamento Europeu, em Estrasburgo.

Em um contexto de distanciamento em relação a Washington, aliado tradicional de Bruxelas e Ottawa, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, propôs na quarta-feira ao Canadá que se torne o primeiro “membro associado” do bloco. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou nesta quarta-feira, 16, interromper o comércio com a União Europeia caso ela leve adiante a proposta.

“Acho isso ridículo”, disse Trump aos repórteres quando questionado sobre o plano divulgado pela presidente da UE, Ursula von der Leyen.

“Se eles fizerem isso, se eu considerar que se trata de um ato hostil, imporei tarifas muito pesadas ou interromperei o comércio com a Europa.”

Portas abertas

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A iniciativa apresentada por Von der Leyen coincidiu com a visita do primeiro-ministro canadense à sede do Parlamento Europeu em Estrasburgo, onde ele discursou nesta quinta-feira, 17.

“Nós compartilhamos valores comuns pelos quais sempre lutamos e cuja defesa exige que permaneçamos sempre vigilantes”, disse Carney.

“A Europa e o Canadá são mais fortes juntos”, acrescentou. A UE e o Canadá querem ser “um farol para as democracias, não dominar os outros”, destacou.

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Embora o status de membro associado não esteja definido juridicamente, a chefe do Executivo da UE propôs uma cooperação mais estreita em tecnologia, defesa e energia.

Ela também ofereceu ao Canadá a possibilidade de integrar um futuro “Conselho Europeu de Segurança”, que pretende criar em conjunto com o Reino Unido e a Noruega.

“Gostaria de trabalhar com você para abrir as portas para que o Canadá seja o primeiro membro associado da UE”, disse Ursula a Carney na quarta-feira, uma mensagem recebida com aplausos no Parlamento Europeu.

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“O Canadá recebe favoravelmente esta ambição. E posso dizer a vocês que as pesquisas mostram que a esmagadora maioria dos canadenses apoia vínculos muito mais estreitos com a Europa”, respondeu Carney, nesta quinta, também ovacionado pelos eurodeputados.

Membro associado

Os tratados da UE não contemplam a figura de “membro associado”, o que significa que é incerto o que a medida implicaria na prática.

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A Alemanha já havia oferecido o status à Ucrânia, que aspira à plena adesão, e sugeriu que assim poderia participar de reuniões e cúpulas europeias, embora sem direito a voto.

“Acho ridículo”, disparou Trump ao ser questionado sobre a proposta da UE. “Se eles fizerem isso, se eu considerar que se trata de um ato hostil, vou impor tarifas muito sérias ou interromper o comércio com a Europa”, advertiu.

E acrescentou: “Se o fizerem de boa-fé, tudo bem. Se o fizerem com má intenção, vamos impor tarifas muito fortes à Europa, o que é uma possibilidade”.

De acordo com as normas da UE, os 27 Estados-membros devem aprovar qualquer tipo de acordo de cooperação com um país terceiro. E o apoio à proposta não está claro.

O ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noël Barrot, afirmou que o país é favorável a “criar vínculos cada vez mais estreitos com o Canadá”, mas ressaltou que o projeto precisa ser “debatido, examinado e analisado”.

Bruxelas e Ottawa, ambas afetadas pelas tarifas e pelas ameaças territoriais dos Estados Unidos e pela concorrência da China, já mantêm um nível considerável de cooperação.

Graças ao acordo de livre comércio CETA, que eliminou quase todas as tarifas, o comércio de produtos e serviços entre as duas economias aumentou mais de 80% desde 2016.

Além disso, neste ano o Canadá se tornou o primeiro país não pertencente à UE a aderir a um emblemático programa de empréstimos para a defesa.



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