- setembro 22, 2026
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- Category: Notícias
A duas semanas do primeiro turno de 2022, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparecia à frente de Jair Bolsonaro (PL) nas principais pesquisas nacionais. A dúvida naquele momento estava menos sobre quem liderava e mais sobre o tamanho da diferença e a possibilidade de a disputa terminar já no primeiro turno.
Os levantamentos publicados entre 14 e 21 de setembro daquele ano apontavam vantagens para Lula que iam de oito a 16 pontos percentuais sobre Bolsonaro. Nas urnas, a distância acabou menor: Lula recebeu 48,43% dos votos válidos e Bolsonaro, 43,20%, diferença de 5,23 pontos.
O Datafolha divulgado em 15 de setembro, pouco mais de duas semanas antes da votação, mostrava Lula com 45% das intenções de voto e Bolsonaro com 33%. Ciro Gomes (PDT) tinha 8% e Simone Tebet (MDB), 5%. A vantagem entre os dois primeiros colocados era de 12 pontos.
Naquele levantamento, o segundo turno aparecia mais distante: Lula tinha 54% contra 38% de Bolsonaro. A margem de erro era de dois pontos percentuais.
A Quaest daquele período registrava uma diferença menor. Na pesquisa divulgada em 14 de setembro, Lula tinha 42%, contra 34% de Bolsonaro. Ciro aparecia com 7% e Tebet, com 4%. A distância entre os dois líderes era de oito pontos.
Uma semana depois, em 21 de setembro, a Quaest mostraria Lula com 44% e Bolsonaro ainda com 34%, ampliando numericamente a vantagem para dez pontos.
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Decisão no primeiro turno
O Ipec apresentava naquele momento o cenário mais favorável a Lula entre os grandes institutos. Na pesquisa divulgada em 19 de setembro, o petista tinha 47% das intenções de voto, contra 31% de Bolsonaro. Ciro aparecia com 7% e Simone Tebet, com 5%. A diferença chegava a 16 pontos percentuais.
Quando eram considerados apenas os votos válidos, Lula aparecia com 52%, índice que colocava no debate a possibilidade de vitória ainda no primeiro turno. Bolsonaro tinha 34%. Como a margem de erro era de dois pontos, o próprio instituto tratava esse desfecho como possível, mas não assegurado.
A discussão sobre uma eleição resolvida na primeira rodada ganhou ainda mais força na semana seguinte. Em 22 de setembro, a dez dias da votação, o Datafolha mostrou Lula com 47% e Bolsonaro com 33%. Em votos válidos, o petista chegava ao patamar de 50%.
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No entanto, o resultado das urnas mostrou que o segundo turno seria necessário.
Bolsonaro chegou às urnas acima das pesquisas
Olhando retrospectivamente, a principal diferença entre o retrato de meados de setembro e o resultado foi o desempenho de Bolsonaro.
No Datafolha de 15 de setembro, ele aparecia com 33% dos votos totais. No Ipec de 19 de setembro, tinha 31%, enquanto a Quaest de 21 de setembro apontava 34%.
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Nas urnas, Bolsonaro terminou com 43,20% dos votos válidos. Lula obteve 48,43%.
A comparação não pode ser feita de forma direta entre intenção de voto total e resultado em votos válidos, porque pesquisas incluem brancos, nulos e indecisos. Mesmo quando considerados os votos válidos projetados pelos institutos, porém, a diferença entre os dois candidatos acabou menor do que indicavam vários levantamentos divulgados naquele estágio da campanha.
No Ipec de 19 de setembro, por exemplo, Lula tinha 52% dos votos válidos e Bolsonaro, 34%. O resultado final ficou em 48,43% a 43,20%.
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Cenário parecia mais aberto
As pesquisas também mostravam que havia espaço relevante ocupado pelas demais candidaturas. Ciro Gomes variava entre 6% e 8% e Simone Tebet, entre 4% e 5% nos principais levantamentos daquele período.
Nas duas últimas semanas, as campanhas de Lula e Bolsonaro passaram a disputar diretamente esses eleitores. O PT ampliou a pressão pelo chamado voto útil para tentar resolver a eleição no primeiro turno, enquanto Bolsonaro buscou consolidar o eleitorado antipetista e impedir esse cenário.
O resultado mostrou que havia mais espaço para mudanças na reta final do que sugeriam os números estáveis de meados de setembro.
Lula terminou o primeiro turno com pouco mais de 57,2 milhões de votos e Bolsonaro, com 51 milhões. Nenhum alcançou a maioria absoluta dos votos válidos, levando a disputa para o segundo turno de 30 de outubro.
A experiência de 2022 mostra uma diferença importante entre fotografia e resultado: duas semanas antes da eleição, os principais institutos identificavam corretamente Lula na liderança, mas o tamanho dessa vantagem ainda mudaria de maneira relevante até a abertura das urnas.

