Taxas do Tesouro Direto caem mesmo com IPCA de setembro acima do esperado

As taxas dos títulos públicos operam em queda nesta sexta-feira (9), apesar do anúncio da inflação de setembro acima do esperado pelo mercado. Todos os papéis disponíveis para compra começaram a sessão pagando menos do que no fechamento de quinta-feira (8).

Entre os prefixados, a maior queda foi a do Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 2037, cuja taxa recuou de 12,69% para 12,57% ao ano. O Tesouro Prefixado 2032 passou de 12,61% para 12,54%, e o Prefixado 2029, de 12,33% para 12,30%.

Na família atrelada à inflação, as quedas variaram de 0,06 a 0,10 ponto percentual. O Tesouro IPCA+ 2040 e o IPCA+ com Juros Semestrais 2037 lideraram o movimento: o primeiro saiu de IPCA + 6,61% para IPCA + 6,51%, e o segundo, de IPCA + 6,76% para IPCA + 6,66%. O IPCA+ 2050 paga juro real de 6,48% (ante 6,57%), e o IPCA+ 2032 entrega 6,65% (ante 6,71%).

Inflação de volta acima do teto

Mais cedo, o IBGE informou que o IPCA subiu 0,82% em setembro, revertendo a deflação de 0,32% registrada em agosto. Pesquisa da Reuters apontava alta de 0,73%. Em 12 meses, o índice chegou a 4,58%, também acima dos 4,50% projetados e do teto de 4,5% da meta de inflação.

A MAG Investimentos esperava alta de 0,74%. Para o economista-chefe da gestora, Felipe Rodrigo de Oliveira, o dado “volta a colocar a inflação acima do teto da meta contínua” e reforça a percepção de que a desinflação dos últimos meses perdeu força no terceiro trimestre.

A principal pressão veio da conta de luz. A energia elétrica residencial subiu 7,98% e respondeu sozinha por 0,32 ponto percentual do índice, com o fim do efeito do bônus de Itaipu, que havia reduzido as faturas de agosto. Transportes (+0,89%) e Alimentação e bebidas (+0,83%) também pesaram, e os nove grupos pesquisados pelo IBGE tiveram alta.

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“O resultado reforça um cenário de inflação ainda resistente e menos favorável para uma flexibilização relevante da política monetária no curto prazo”, afirma Oliveira.

O que puxa as taxas para baixo

Se o IPCA empurrava para cima, o alívio veio de outras frentes. No exterior, o petróleo recuava cerca de 1% depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que o país não atacará o Irã antes das eleições legislativas de meio de mandato. Aqui, o dólar comercial abriu em queda de 0,5%, a R$ 4,994.

Os investidores também digeriam duas pesquisas de segundo turno da eleição presidencial. O Datafolha mostrou o senador Flávio Bolsonaro (PL) com 49% das intenções de voto, ante 45% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), empate técnico no limite da margem de erro. Na AtlasIntel/Bloomberg, Flávio aparece com 51,1%, contra 45,7% de Lula.

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Ainda assim, o IPCA não passou despercebido. Rafael Sueishi, head de renda fixa da Manchester Investimentos, avalia que o dado foi recebido de forma negativa. “Na teoria, isso reduz o conforto que o Banco Central tinha para continuar cortando os juros”. Ele pondera, no entanto, que os indicadores de atividade vêm mostrando sinais de arrefecimento e que o BC ainda precisará acompanhar mais dados.



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