- outubro 13, 2026
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Os setores de comércio e serviços, que respondem por dois terços da economia, vêm perdendo fôlego devido à desaceleração da demanda e ao estreitamento das margens financeiras. Em meio ao debate da campanha eleitoral que avançou para o segundo turno, o InfoMoney perguntou para os representantes quais seriam as principais demandas em uma próxima gestão, a fim de entender os desafios e necessidades deste segmento.
Raio-X do comércio e serviços
O comércio, que havia registrado um crescimento de 4,7% em 2024, desacelerou para 1,6% nos sete primeiros meses de 2026. O segmento de serviços apresentou um comportamento semelhante, passando de uma expansão de 3,1% em 2024 para 1,9% no mesmo período de 2026. A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) aponta que, nos últimos anos, o setor tem registrado uma expansão média inferior a 2% ao ano.
O resultado é reflexo do impacto da alta taxa de juros, que afeta o caixa das empresas.
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Entre as 40 maiores empresas de bens de consumo e varejo, as despesas financeiras consumiram 45% do lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) em 2025. Em 2023, eram 20% e, em 2024, 33,3%, segundo a FecomercioSP.
No segundo trimestre deste ano, houve um aumento de 58% nos pedidos de recuperação judicial, comparado ao mesmo período de 2023. Das mais de 6 mil empresas em recuperação, 21% eram do comércio. Além disso, o setor de serviços corresponde a 55,4% dos 8,8 milhões de CNPJs negativados no país, seguido pelo comércio, com 32,6%.
Desafios e prioridades para 2027-2030
Em meio ao cenário desafiador, representantes destes setores dizem priorizar a garantia de um ambiente de negócios seguro, estável e previsível.
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A redução da taxa de juros está no centro das demandas, porque eleva o custo do capital e contrai as margens, reduzindo os investimentos, afirma Antonio Lanzana, presidente do Conselho Superior de Economia, Sociologia e Política da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP). Ao mesmo tempo, o endividamento das famílias está limitando os gastos com consumo, o que altera a demanda dos setores.
Para reverter o quadro de desaceleração da atividade econômica, com projeção de crescimento de 1,8% em 2026 e 1,4% em 2027, Lanzana defende a necessidade de um ajuste fiscal. O economista alerta que a relação entre dívida e Produto Interno Bruto (PIB) passou de 71,7% em dezembro de 2022 e deve encerrar este ano perto de 84%. Lanzana destaca a necessidade de mudar o regime fiscal e gerar um superávit primário estimado de 2% a 2,5% do PIB.
Escala 6×1
As agendas mais sensíveis do setor também passam pelas discussões trabalhistas. O debate em torno da escala de trabalho 6×1 atinge diretamente o setor. Segundo a CNC, a medida pode gerar impactos para as pequenas e médias empresas, com possíveis reflexos na alta de preços ao consumidor. A entidade defende que as mudanças sejam feitas com segurança jurídica e diálogo institucional.
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A FecomercioSP afirma que o debate sobre a escala 6×1 é mais um reflexo de um cenário macroeconômico com “mudanças constantes nas regras do jogo”, o que gera insegurança jurídica, repele investimentos e limita a capacidade de crescimento do país, segundo Lanzana.
Reforma tributária
A CNC destaca ainda a necessidade de garantir a neutralidade da carga na Reforma Tributária e reivindica uma política de socorro ao caixa das empresas. “O desafio é garantir que a transição não aumente a carga sobre as empresas, principalmente do setor de serviços, em um momento em que milhões de negócios ainda enfrentam dificuldades financeiras”, diz a entidade, em nota. “É preciso que o comitê defina e divulgue, objetivamente, as taxas que serão praticadas para que o empreendedor possa se organizar e efetivamente qualificar os fluxos de tributação”, defende.
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A CNC avalia que o controle de remessas internacionais pelo Programa Remessa Conforme foi um avanço fundamental para combater a concorrência desleal e proteger o varejo nacional.
Em contrapartida, critica o fim do imposto de importação sobre compras de até 50 dólares, medida confirmada pelo Congresso em setembro, por criar uma assimetria competitiva prejudicial às empresas locais.
Infraestrutura, produtividade e tecnologia
A retomada do crescimento estrutural exige, obrigatoriamente, o aumento da taxa de investimento da economia brasileira, que atingiu 16,1% no segundo trimestre de 2026. Neste quesito, a FecomercioSP defende o aumento dos investimentos em infraestrutura, que atualmente estão pouco acima de 2%, contra uma média mundial de 4,5%.
A entidade também defende uma maior abertura comercial para elevar a produtividade, argumentando que a agropecuária, por ser mais aberta, registrou aumento de produtividade de 491% nos últimos 30 anos, enquanto a indústria, mais protegida, recuou 9% no mesmo período.
A agenda de produtividade inclui ainda a melhoria da qualificação da mão de obra e a criação de uma infraestrutura tecnológica e regulatória para acompanhar a evolução da Inteligência Artificial no mundo.
As instituições defendem que a aprovação rápida de uma reforma administrativa é um pilar essencial para modernizar o Estado, reduzir despesas sistêmicas e preservar a qualidade dos serviços públicos prestados à população.
A questão fiscal no debate eleitoral
Apesar da gravidade do cenário econômico exposto pelo empresariado, as principais demandas do setor não têm sido plenamente contempladas no debate das campanhas à Presidência da República.
Antonio Lanzana avalia que a questão fiscal tem sido tratada de forma superficial pelos candidatos, uma vez que a correção dessa trajetória envolve, inevitavelmente, medidas impopulares, deixando a discussão para o período pós-eleitoral. “O presidente eleito não terá alternativa senão efetuar o ajuste, até porque não conseguirá governar se não o fizer”, diz.
A CNC afirma que a agenda foi levada diretamente aos candidatos e será formalmente entregue à equipe de transição do governo eleito, que continuará sendo negociada no Congresso Nacional, com o respaldo de mais de mil sindicatos e 34 federações espalhadas por todo o Brasil.

