6 erros que podem prejudicar os investimentos

Buscar o fundo que mais rendeu, abandonar a carteira durante uma crise ou tomar decisões olhando apenas para a rentabilidade passada pode prejudicar uma estratégia de longo prazo.

Para Rodolfo Ceppas Bastos, economista, fundador da Oyster Academy e profissional com mais de 25 anos de experiência no mercado financeiro, o investidor precisa olhar menos para o “ativo da vez” e mais para patrimônio, objetivos e horizonte de investimento.

Com atuação no Brasil e nos Estados Unidos, Bastos direciona seu trabalho à capacitação de profissionais do setor de investimentos.

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A Oyster Academy atua na formação de assessores e consultores, com foco em planejamento patrimonial, processos, tecnologia e relacionamento com clientes.

A proposta é ampliar a análise para além da escolha de produtos de investimento, considerando também o patrimônio e os objetivos dos clientes.

Bastos também informa que a Oyster pretende lançar um produto para o cliente final, com o objetivo de ensiná-lo a investir e como escolher o seu advisor.

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“As certificações são como a CNH: habilitam, mas a excelência está em saber conduzir. A Oyster Academy qualifica profissionais à altura da responsabilidade de cuidar do patrimônio das pessoas”, explica Bastos.

“O novo produto para o público geral complementa essa missão: ajudar a população a investir melhor e a escolher bons profissionais, com critérios claros e atenção às armadilhas”, completa.

A seguir, seis pontos destacados por Bastos para quem busca tomar decisões de investimento com uma visão de longo prazo.

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Bastos diz que investidor não deve correr atrás dos investimentos com maior rentabilidade recente: “pare de ficar pulando de galho em galho atrás do melhor fundo, melhor rentabilidade, melhor ativo” (Foto: Pexels/AplhaTradeZone)
Bastos diz que investidor não deve correr atrás dos investimentos com maior rentabilidade recente: “pare de ficar pulando de galho em galho atrás do melhor fundo, melhor rentabilidade, melhor ativo” (Foto: Pexels/AplhaTradeZone)

1. Saiba que crises vão acontecer

Para Bastos, períodos de turbulência não deveriam ser tratados como acontecimentos inesperados na construção de uma carteira. A estratégia precisa considerar, desde o início, que os ativos passarão por momentos adversos.

“Crise não é exceção, crise é regra”, afirma.

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Segundo ele, não é possível saber quando ocorrerá a próxima turbulência, mas o patrimônio de um investidor de longo prazo provavelmente atravessará diferentes ciclos.

O problema aparece quando uma carteira que deveria atravessar esses períodos é desmontada justamente durante uma crise.

Para Bastos, a montagem adequada da carteira ajuda o investidor a enfrentar esses momentos sem se desfazer dos ativos no pior momento.

“Precisamos ter uma carteira ciente de que ela vai enfrentar uma crise e você não vai se desfazer dela no meio da crise, que é o momento errado”, diz.

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2. Não persiga a maior rentabilidade passada

Outro comportamento criticado por Bastos é a busca constante pelo fundo, ativo ou produto que apresentou a melhor rentabilidade recentemente.

“Pare de ficar pulando de galho em galho atrás do melhor fundo, melhor rentabilidade, melhor ativo”, aconselha.

Para ele, o investidor deveria dedicar mais atenção à construção da alocação e permitir que a estratégia tenha tempo para funcionar.

A rentabilidade passada pode ser uma informação relevante na análise, mas não deve ser interpretada como indicação do retorno que será obtido no futuro.

Bastos cita como exemplo ofertas de renda fixa apresentadas como determinado percentual do CDI e históricos de carteiras e ativos apresentados ao investidor.

Segundo ele, é importante observar o passado, mas o histórico não deve ser tratado como se fosse uma promessa de rentabilidade futura. As condições de juros verificadas anteriormente, por exemplo, podem ser diferentes daquelas encontradas nos períodos seguintes.

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3. Dê tempo para os juros compostos atuarem

O tempo é um componente que pode acabar esquecido quando o investidor concentra a atenção na taxa de retorno.

Bastos resume essa relação dizendo que o valor futuro depende do capital investido, da rentabilidade e do tempo. Nesse processo, os juros compostos representam a incidência de rentabilidade sobre valores que já incorporaram rendimentos anteriores.

“Quando a gente fala só de rentabilidade, é um erro. Tem que lembrar do tempo”, explica.

Para Bastos, o investidor precisa considerar a passagem do tempo ao avaliar uma estratégia, em vez de concentrar sua atenção apenas na rentabilidade apresentada por determinado investimento.

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4. Impostos também interferem

Além da rentabilidade e do tempo, Bastos chama atenção para o chamado diferimento fiscal. O conceito consiste, de forma simplificada, em postergar o pagamento de um imposto, quando as regras do investimento permitem.

Segundo ele, o investidor também deve observar quando ocorre o recolhimento do Imposto de Renda ao analisar investimentos voltados ao longo prazo.

Bastos cita, nesse contexto, o efeito do come-cotas, mecanismo de antecipação periódica do Imposto de Renda presente em determinadas classes de fundos.

Também menciona ativos com vencimentos mais longos e a previdência ao abordar possibilidades relacionadas ao diferimento fiscal.

Para Bastos, o ponto deve ser analisado em conjunto com os juros compostos e o tempo de permanência do dinheiro investido.

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5. Ativos de risco não vão subir o tempo inteiro

Quem decide assumir risco precisa estar preparado para conviver com oscilações.

“Você vai entrar em um ativo de risco, não espere que todo dia, toda semana, todo mês aquele ativo vá bem de forma consistente”, diz Bastos. “Você vai ter volatilidade.”

Ele cita ações, multimercados e até títulos de renda fixa sujeitos à marcação a mercado como exemplos de investimentos que podem apresentar variações ao longo do tempo.

Segundo Bastos, quando se observa uma janela longa de investimento, poucos dias podem ter peso relevante sobre a rentabilidade acumulada. Ele afirma que há análises desse comportamento tanto no mercado brasileiro quanto no internacional.

Na avaliação do especialista, uma carteira construída para enfrentar crises também reduz o risco de o investidor se desfazer dos ativos no pior momento e ficar fora dos períodos que vêm depois das turbulências.

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6. Olhe para sua vida financeira

Para Bastos, uma carteira de investimentos não deveria considerar apenas a classificação do investidor como conservador, moderado ou agressivo. Patrimônio, necessidade de liquidez, objetivos, estrutura familiar e planos futuros também entram nessa análise.

Entre os pontos citados por ele estão número de filhos, regime de casamento, existência de empresas e imóveis, patrimônio no exterior, planos de aposentadoria, intenção de morar fora e necessidade de reserva cambial.

Na prática, isso significa olhar para a carteira como parte de uma situação patrimonial mais ampla. Um investidor que já possui imóveis, empresas, previdência ou recursos no exterior, por exemplo, pode ter necessidades diferentes de outro classificado no mesmo perfil de risco.

Por isso, Bastos também destaca a importância de fornecer informações completas ao profissional responsável pela orientação financeira.

Ele compara essa relação àquela mantida com médicos e advogados: sem conhecer adequadamente a situação do cliente, o profissional trabalha com um diagnóstico incompleto.

“O cliente também tem que ter certeza de que precisa abrir a vida dele para que o trabalho possa ser bem feito pelo profissional”, compara Bastos.

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O que observar na carteira no longo prazo

Para Bastos, uma estratégia de investimento não deveria ser avaliada apenas pela rentabilidade recente de um fundo ou ativo. Tempo, juros compostos, tributação, volatilidade e a situação patrimonial do investidor também fazem parte dessa análise.

Crises e períodos de oscilação fazem parte do caminho dos investimentos de risco. Na visão do especialista, a carteira deve ser estruturada considerando que esses episódios ocorrerão em algum momento, ainda que não seja possível saber quando.

A lógica defendida por Bastos é dedicar mais atenção à construção da alocação e menos à tentativa de encontrar continuamente o investimento que apresentou o melhor desempenho recente.

“Você tem que gastar tempo mostrando a alocação no início e dar tempo ao tempo”, afirma.

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