Tradicional atração turística de Nova York pode chegar ao fim em 2028

O prefeito de Nova York Zohran Mamdani e a presidente da Câmara Municipal chegaram a um acordo para aprovar uma legislação que proíbe as tradicionais carruagens puxadas por cavalos na cidade, medida que pode encerrar uma atividade turística ligada ao Central Park há mais de 150 anos.

O projeto será submetido a votação em 22 de outubro e, se aprovado, a proibição entrará em vigor em 1º de junho de 2028. A proposta determina uma “destinação humanitária” para os animais, proibindo sua venda para abate ou transferência para outras empresas de carruagens.

Atualmente, 68 carruagens operam no Central Park, empregando cerca de 150 condutores e mais de 180 cavalos, segundo a porta-voz do setor, Christina Hansen. O projeto já conta com o apoio de 29 vereadores, número suficiente para aprovação na Câmara, composta por 51 membros.

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O acordo foi confirmado pelo gabinete da presidente da Câmara, Julie Menin, e foi divulgado inicialmente pelo site Politico.

As carruagens puxadas por cavalos enfrentam há anos a oposição de grupos de defesa dos animais, que argumentam que obrigar os cavalos a trabalhar em ambiente urbano prejudica sua saúde e compromete a segurança. Durante a campanha eleitoral de 2013, o ex-prefeito Bill de Blasio prometeu encerrar a atividade logo no início de seu mandato, mas não conseguiu apoio suficiente no Legislativo municipal.

Entretanto, a morte de um turista no ano passado ampliou a pressão pelo fim da atividade. Em 17 de junho, Romanch Mahajan, de 18 anos, caiu de uma carruagem e morreu durante uma viagem com a família a Nova York. Após o acidente, os serviços foram suspensos por seis dias para revisão dos protocolos de segurança.

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Uma pesquisa encomendada pela entidade Central Park Conservancy, defensora da proibição, apontou que 68% dos nova-iorquinos passaram a apoiar o fim das carruagens após a morte do jovem.

“Isso é, fundamentalmente, uma questão de segurança pública”, afirmou David Saltonstall, vice-presidente de relações governamentais da entidade. Segundo ele, o acidente fatal foi o desfecho de um problema que vinha se agravando há anos.

De acordo com a organização, ao menos sete pessoas, entre turistas e condutores, ficaram feridas em incidentes envolvendo carruagens desde maio de 2025. A morte de Mahajan é considerada a primeira fatalidade relacionada a acidentes com carruagens na história do Central Park.

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Operadores do setor contestam as críticas e afirmam que o índice de acidentes envolvendo cavalos é inferior ao de outras atividades permitidas no parque, como bicicletas elétricas e patinetes. Eles também argumentam que, sem a receita gerada pelas corridas, será mais difícil custear os cuidados com os animais e a transferência deles para novos locais após a proibição.

O acordo anunciado nesta semana inclui mudanças em relação à proposta original apresentada no verão americano. Entre elas está a criação de um plano de transição para ajudar condutores, proprietários e funcionários dos estábulos afetados pela medida.

Pela nova versão do projeto, agências municipais escolhidas pelo prefeito deverão apresentar, até 1º de abril de 2027, um plano de apoio aos trabalhadores do setor. A proposta prevê a possibilidade de compensações financeiras, mas não garante pagamentos obrigatórios.

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O presidente internacional do sindicato dos trabalhadores de transporte, John Samuelsen, criticou a medida, classificando-a como “oportunismo político”. Segundo ele, o projeto não oferece alívio econômico significativo aos trabalhadores.

Christina Hansen, porta-voz da indústria, afirmou que os cuidados com seu cavalo, Sherman, custam cerca de US$ 10 mil por ano.

“Não existe nenhum fundo reservado para cobrir os próximos 20 anos de vida do Sherman”, disse.

O projeto também endurece as regras de proteção aos animais. Proprietários não poderão vender ou transferir cavalos licenciados para abate ou para outras empresas de carruagens. Além disso, deverão informar o Departamento de Saúde e o Escritório de Bem-Estar Animal da prefeitura com pelo menos dez dias úteis de antecedência caso pretendam abrir mão de um animal.

Quem continuar operando carruagens após a entrada em vigor da proibição poderá ser multado em até US$ 10 mil.

Em comunicado, Julie Menin afirmou que a morte de Romanch Mahajan deixou claro que “o status quo não é mais aceitável”.

Segundo Conor McHugh, responsável pelo Clinton Park Stables, um dos principais estábulos da cidade, aproximadamente 140 cavalos de carruagem permanecem em Nova York em um determinado momento. Ele afirmou que, caso a proibição seja aprovada, o estábulo, que funciona há mais de 150 anos, deverá encerrar suas atividades.

McHugh também afirmou que grupos do setor imobiliário demonstraram interesse no terreno ocupado pelo estábulo no passado e sugeriu que questões de segurança têm sido usadas como argumento para pressionar o fechamento do negócio.

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