- agosto 16, 2026
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O senador Flávio Bolsonaro (PL) chega ao primeiro evento da campanha oficial à Presidência da República em uma situação mais favorável do que aquela encontrada quando assumiu a candidatura presidencial da direita.
O senador consolidou a maior parte do eleitorado bolsonarista, abriu distância dos demais candidatos desse campo e passou a aparecer como o principal adversário do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A evolução, porém, ocorreu de forma mais rápida nas pesquisas do que na construção das alianças. O PL conseguiu organizar palanques importantes e atrair apoios fora da própria legenda, mas ainda convive com disputas estaduais, partidos neutros e candidaturas concorrentes dentro do mesmo campo político.
Esse contraste deve acompanhar Flávio no início da campanha. O senador já não enfrenta uma disputa relevante pela liderança da direita, mas ainda precisa ampliar sua votação entre independentes e transformar apoios regionais em uma estrutura nacional capaz de competir com Lula.
Direita concentrada
As últimas pesquisas mostram que a candidatura conseguiu absorver grande parte do eleitorado que votou em Jair Bolsonaro em 2022. Na CNT/MDA divulgada nesta terça-feira (11), Flávio aparece com 28,7% das intenções de voto no primeiro turno, contra 42,4% de Lula. A diferença de 13,7 pontos ficou próxima da registrada em junho. No segundo turno, Lula marca 48%, e Flávio, 39,1%.
A Quaest da semana passada mostrou uma disputa mais apertada. Foram 39% para Lula e 30% para Flávio no primeiro turno. Em uma eventual segunda rodada, os números eram de 44% a 39%.
As diferenças entre os institutos permanecem, mas os levantamentos apontam para o mesmo desenho básico. Flávio ocupa sozinho a segunda posição e mantém os demais candidatos de direita muito atrás.
Isso mudou o problema da campanha e a prioridade deixou de ser convencer o eleitor bolsonarista de que Flávio é o sucessor político do pai e passou para focar no crescimento, que agora depende principalmente de eleitores que não se identificam de maneira rígida com nenhum dos dois polos.
Tarcísio no principal palanque
São Paulo é hoje o ativo regional mais importante da candidatura. O governador e candidato à reeleição Tarcísio de Freitas (Republicanos) declarou apoio a Flávio mesmo depois de seu partido optar pela neutralidade na eleição presidencial. Com isso, o senador terá ao seu lado um governador competitivo no maior colégio eleitoral do país.
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O peso da aliança aumentou após a pesquisa Ideia divulgada nesta semana, que mostrou Tarcísio com 51% das intenções de voto para a reeleição, ante 34% de Fernando Haddad (PT).
A situação paulista permite a Flávio dividir agenda e estrutura com uma candidatura estadual forte. Também reduz um dos riscos que acompanharam sua pré-campanha, sobre a eventual possibilidade de Tarcísio se transformar em alternativa presidencial dentro da própria direita.
Resolvida essa disputa, o governador passa a funcionar como um dos principais cabos eleitorais do senador.
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Limites da articulação
A situação é mais complicada em Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país. O PL pretendia inicialmente apoiar Cleitinho Azevedo (Republicanos) ao governo. A demora do senador em confirmar a candidatura levou o partido a lançar Flávio Roscoe.
Cleitinho posteriormente conseguiu reverter a resistência do Republicanos e entrou na disputa. O PL decidiu manter Roscoe.
O resultado é uma divisão entre candidaturas que disputam parcelas semelhantes do eleitorado. Cleitinho, que já sinalizou apoio a Flávio na eleição presidencial, liderava a última Genial/Quaest para o governo mineiro. Roscoe terá o palanque formal do PL.
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Há ainda uma terceira força nesse campo. Mateus Simões (PSD), apoiado por Romeu Zema, reuniu uma aliança que inclui PSD, União Progressista, Novo, PRD, Solidariedade e Avante.
Para Flávio, Minas oferece apoios, mas não uma estrutura única. A campanha presidencial terá de circular entre grupos que competem entre si pela eleição estadual.
Neutralidade dos partidos
Outro limite encontrado pelo PL foi a dificuldade para reproduzir nacionalmente a coalizão partidária que orbitava Jair Bolsonaro. Republicanos e outros partidos de centro-direita, como União Brasil, PP e Podemos, preferiram preservar autonomia no primeiro turno. Na prática, isso criou uma eleição de alianças diferentes em cada Estado.
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O modelo, não preferido, mas resultando de acordos políticos maiores, permite ao senador conquistar apoios relevantes mesmo sem incorporar formalmente as siglas à candidatura. Também torna a organização nacional menos uniforme.
O mesmo ocorre nas disputas ao Senado, que se tornaram uma das principais ferramentas de articulação do PL. Flávio vem construindo acordos com candidatos de diferentes partidos, tentando associar sua campanha presidencial à formação de uma bancada mais alinhada no Congresso.
A escolha do vice também mostrou a dificuldade de ampliar formalmente a coalizão. Depois de buscar nomes de outros partidos, Flávio escolheu Alfredo Gaspar (PL-AL), mantendo a chapa presidencial integralmente dentro da legenda.
Gaspar acrescenta à campanha uma trajetória ligada à segurança pública e ao Ministério Público, temas que o PL pretende explorar durante a eleição. Sua presença também dá à chapa um representante do Nordeste, região onde historicamente Lula mantém vantagem eleitoral.
A composição resolveu a necessidade de fechar a chapa, mas não trouxe um novo partido para a aliança.
Busca pelo eleitorado
A próxima etapa da campanha para ambos os lados da disputa, no entanto, vai exigir um movimento diferente. Para analistas políticos, a eleição de 2026 tende a ser decidida pelo grupo considerado independentes — aqueles que não se alinham nem com o bolsonarismo, nem com o petismo. O objetivo de Flávio e de Lula agora é buscar por essa parcela do eleitorado.
Para Flávio, crescer passa por reduzir resistências fora do bolsonarismo, principalmente entre mulheres, independentes e eleitores que rejeitam uma nova disputa centrada nos dois lados da polarização que dominou o cenário eleitoral brasileiros nas últimas eleições.
O primeiro evento de campanha ocorre, portanto, em uma fase de transição. Flávio já conseguiu transformar a indicação de Jair Bolsonaro em uma candidatura eleitoralmente relevante. A partir de agora, o resultado dependerá da capacidade de acrescentar votos a uma base que, pelas pesquisas, já está majoritariamente organizada em torno de seu nome.

