- setembro 12, 2026
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Imagens de satélite captadas e analisadas pelo Center for Strategic and International Studies (CSIS) mostraram que há um forte aumento na atividade de construção na fortificação iraniana da Montanha Pickaxe (Picareta, numa tradução literal). Isso poderia comprovar suspeita de que o local estaria sendo preparado nos últimos anos para se tornar uma instalação futura de enriquecimento de urânio ou um refúgio seguro nuclear para o país.
Essas novas informações estratégicas explicam porque, na semana passada, o presidente Donald Trump disse a jornalistas que os Estados Unidos poderiam atacar muito em breve a Montanha Pickaxe.
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Em julho, a inteligência israelense disse acreditar que o Irã transferiu milhares de centrífugas nucleares para túneis profundos dentro da montanha, onde há uma instalação subterrânea fortificada perto de Natanz, conforme reportagem do Wall Street Journal.
A avaliação afirmava que as centrífugas poderiam ser usadas para enriquecer o estoque estimado de 440 quilos de urânio enriquecido a 60% do Irã, para grau de armamento e uso potencial em ogivas nucleares.
O InfoMoney reuniu informações sobre a Montanha Pickaxe para dimensionar os riscos de uma instalação desse tipo e as dificuldades para os EUA adotarem medidas para interromper o possível uso militar da instalação. Veja abaixo;
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O que é a Montanha “Picareta”?
A Pickaxe é uma montanha na cordilheira Zagros, na província iraniana de Isfahan, localizada a quase 1,5 quilômetro ao sul do complexo de enriquecimento de Natanz. Segundo agências de notícias, o nome ocidental é um pequeno acidente de tradução. A montanha é chamada de Kuh-e Kolang Gaz La em farsi — kolang significa picareta. Mas o Irã nunca teria dado um nome público ao local.
A instalação é um grande complexo de túneis subterrâneos construídos a cerca de 100 metros abaixo da superfície e começou a ser construída em 2020, meses após uma explosão destruir uma fábrica de montagem avançada de centrífugas acima do solo em Natanz, em um ataque atribuído a Israel. O local foi escolhido exatamente porque a montanha é composta por granito duro e denso, o que oferece proteção natural substancial a qualquer coisa escavada sob ela.
A usina destruída havia sido construída para montar cerca de 6.000 centrífugas avançadas por ano.
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O que o Irã mantém no local?
A resposta é: ninguém sabe. A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) jamais teve acesso ao local. Há um perímetro duplo de segurança, uma cerca e um muro com rota de patrulha circundando toda a montanha, que se juntam ao perímetro de Natanz. Imagens de satélite mostram que existem duas entradas de túnel, uma no lado leste e outra no lado oeste.
O Irã afirmou que o local é para a produção e montagem de centrífugas avançadas, mas análises apontam que o espaço sob a montanha é grande o suficiente para abrigar não apenas uma fábrica de montagem, mas uma planta de enriquecimento funcional capaz de produzir urânio de grau militar e até uma fundição de urânio metálico, para ser moldado em componentes de armas.
E a inteligência israelense afirma que os 440 quilos de urânio enriquecido do Irã já teriam sido transferidos para a instalação.
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A instalação está ativa?
Segundo análise do CSIS, o Irã continuou as atividades de construção na Montanha Pickaxe após a Operação Midnight Hammer em junho de 2025. Entre junho e setembro de 2025, o Irã concluiu a cerca perimetral de segurança ao redor de toda a instalação, reforçou e ampliou várias entradas de túneis com portas de portal e acelerou o ritmo das escavações na instalação.
O acompanhamento feito por satélite desde 2020 revela uma clara assinatura de atividade trifásica nos cinco principais pontos de interesse, bem como nas estradas que os conectam. A comparação de imagens ao longo do tempo revela que novas atividades vêm ocorrendo.
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As entradas dos portais sul e leste estão mais reforçadas em julho de 2026 do que em setembro de 2025. Segundo o CSIS, há evidências em todo o local da remoção de deterioração da escavação, o que é típico de um canteiro de obras em transição de uma fase de corte para uma fase de construção e é uma provável indicação de que a construção se deslocou para a construção interna da instalação subterrânea.
O local pode ser atacado?
Especialistas em estratégia consideram muito difícil causar danos a uma instalação montada abaixo de 100 metros de granito. A GBU-57, a maior bomba anti-bunker no do arsenal dos EUA, consegue penetrar 18 metros de concreto ou 61 metros de terra.
Imagens de satélite mostram que as entradas dos portais do túnel em Pickaxe são moldadas em forma de curva em U, o que pode impedir que mísseis voem diretamente pelo corredor do túnel e reduz as ondas de choque criadas por explosões que canalizam energia para a instalação subterrânea.
Uma análise do Instituto de Ciência e Segurança Internacional destaca que mesmo uma instalação enterrada ainda precisa respirar, ou seja, o complexo em funcionamento precisa de energia, ventilação, aquecimento e resfriamento, entregas e pessoas entrando e saindo e essa seria uma vulnerabilidade a ser explorada num eventual ataque.
Outros locais subterrâneos construídos pelo programa nuclear iraniano em Amad, Fordow e Shahid Boroujerdi possuíam dutos de ventilação e foram alvos de ataques aéreos em junho de 2025 e março de 2026. Assim, um ataque provavelmente teria como alvo os dutos de ventilação e as bocas abertas dos túneis de Pickaxe.
O Pentágono pode decidir então que um ataque mais eficaz à Montanha Pickaxe envolve mirar e derrubar entradas de túneis com mísseis de cruzeiro, em vez de tentar causar danos estruturais à própria instalação subterrânea.
Outra opção seria realizar ataques ou sabotagens por forças terrestres, uma estratégia que deu certo em Natanz, em 2020, quando explosivos teriam sido trazidos para dentro do edifício durante sua construção.
O que o Irã diz?
O governo iraniano tem insistido que não há nada para bombardear no local. O porta-voz do ministério das Relações Exteriores, Esmail Baghaei, disse em julho que “nenhuma atividade nuclear está ocorrendo” na montanha e chamou as ameaças dos EUA de “um pretexto fabricado para agressão, destruição e sabotagem.”
Mas Mehdi Mohammadi, conselheiro do presidente do parlamento, chamou a Montanha Pickaxe de “a instalação nuclear mais fortificada do mundo” e disse que um ataque “transformaria a região em um inferno.”
Enquanto isso, o comando militar conjunto do Irã alertou que qualquer ataque a locais nucleares ou sensíveis ampliaria a guerra.

