Bradesco (BBDC4) dispara 13,6% e supera Ibovespa; entenda a alta

As ações do Bradesco (BBDC4) disparavam nesta segunda-feira (5), acompanhando a forte valorização do setor financeiro no primeiro pregão após o primeiro turno das eleições.

BBDC4 encerrou o pregão em alta de 13,57%, a R$ 21,84, depois de alcançar R$ 22,14 na máxima. O Ibovespa avançou 7,70%, aos 206.911 pontos, após atingir o recorde intradiário de 209.605,70 pontos.

A alta se espalhou pelos grandes bancos. Banco do Brasil (BBAS3) ganhou 11,00%, Itaú (ITUB4) avançou 10,37% e Itaúsa (ITSA4) subiu 11,52%.

O movimento foi ainda mais intenso nas empresas ligadas diretamente ao mercado de capitais: XPBR31 avançou 24,43%, BPAC11 subiu 22,52% e B3SA3 ganhou 22,63%.

A reação ocorre depois de Flávio Bolsonaro terminar o primeiro turno à frente de Luiz Inácio Lula da Silva, resultado que contrariou pesquisas divulgadas antes da votação. Os dois candidatos disputarão o segundo turno em 25 de outubro.

O desempenho nas urnas e a nova composição do Congresso levaram investidores a rever expectativas para política fiscal e econômica.

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Por que BBDC4 sobe tanto?

Um dos principais canais para explicar a disparada do Bradesco está na forte queda dos juros futuros.

O mercado passou a incorporar expectativas diferentes para a trajetória fiscal e, consequentemente, para os juros de longo prazo. Esse movimento reduz a taxa utilizada para descontar os resultados futuros das empresas e tende a elevar o valor atribuído às ações.

Para os bancos, existe ainda um segundo efeito. Condições financeiras menos apertadas podem aliviar pressões sobre empresas e famílias, favorecer a qualidade das carteiras de crédito e reduzir riscos de inadimplência.

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Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos, destaca justamente esse canal. Segundo ele, os bancos são beneficiados pela queda dos juros futuros e por um cenário em que a inadimplência de empresas e pessoas físicas pode se tornar menos pressionada.

Perri também chama atenção para o efeito da curva de juros sobre os valuations: quanto menor a taxa de desconto utilizada pelo mercado, maior tende a ser, mantidas as demais condições, o valor presente dos fluxos de caixa futuros.

Juros e fiscal entram na conta

Marcelo Bassani, economista e fundador da Boa Brasil Capital, também relaciona o movimento desta segunda-feira à revisão das expectativas fiscais.

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Segundo ele, Bolsa, câmbio e juros estão reagindo simultaneamente à percepção dos investidores sobre possíveis mudanças na condução da política econômica.

A Reuters destacou que o resultado eleitoral provocou forte reprecificação dos ativos brasileiros. O Ibovespa chegou a superar os 209 mil pontos durante a sessão e encerrou o dia com alta de 7,70%, aos 206.911 pontos, enquanto o real também registrou forte valorização.

A incerteza eleitoral, portanto, continua elevada. O movimento desta segunda-feira reflete sobretudo expectativas incorporadas aos preços, e não mudanças de política econômica já implementadas.

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Bradesco também pode receber fluxo estrangeiro

Outro elemento que ajuda a entender o desempenho de BBDC4 é a elevada liquidez das ações dos grandes bancos.

Lucas Xavier, head da mesa de renda variável e sócio da AW Capital, destaca que as maiores instituições financeiras brasileiras reúnem escala, liquidez e histórico de atravessar diferentes ciclos econômicos.

Na avaliação dele, essas características colocam os bancos entre as principais alternativas para investidores estrangeiros que desejam aumentar rapidamente a exposição ao mercado brasileiro.

A leitura ajuda a explicar por que Bradesco, Itaú e Banco do Brasil terminaram a sessão com ganhos superiores aos do próprio Ibovespa.

Já XP, BTG Pactual e B3 registraram movimentos ainda mais fortes porque possuem exposição mais direta à atividade do mercado de capitais. XPBR31 subiu 24,43%, BPAC11 avançou 22,52% e B3SA3 ganhou 22,63% no fechamento.

Uma eventual migração de recursos da renda fixa para ações pode aumentar volumes negociados, distribuição de investimentos e outras receitas relacionadas ao mercado.

BBI vê juros bem abaixo do que curva precificava

Um relatório recente do Bradesco BBI reforça a importância dos juros para a próxima etapa da Bolsa brasileira.

O banco avalia que a economia está desacelerando mais rapidamente do que indicava a curva e projeta a Selic em 11% no fim de 2027, aproximadamente 2,5 pontos percentuais abaixo do que estava precificado pelo mercado no momento da análise.

Na visão do BBI, juros menores beneficiam as ações por duas vias. A primeira é a redução do custo de capital e da taxa de desconto aplicada aos resultados futuros. A segunda é a possibilidade de investidores reduzirem posições em aplicações ligadas ao CDI e aumentarem a exposição a ativos de risco.

O banco ressalva, porém, que a sustentabilidade desse cenário depende da credibilidade fiscal. Sem uma trajetória capaz de estabilizar a dívida, o prêmio dos juros longos pode voltar a subir.

Para BBDC4, essa combinação ajudou a explicar a valorização de 13,57% nesta segunda-feira: queda dos juros, perspectiva de melhores condições para o crédito, reprecificação do valuation e fluxo em direção aos grandes ativos brasileiros.

Alta forte também aumenta volatilidade

A velocidade da valorização também se refletiu em oscilações relevantes ao longo do pregão. BBDC4 chegou a subir até R$ 22,14, antes de encerrar a R$ 21,84, ainda com ganho de 13,57%.

Bassani afirma que o mercado ainda está digerindo o resultado das urnas e que a volatilidade pode permanecer elevada. A própria reação dos ativos mostra a dimensão do ajuste: além da Bolsa em máxima histórica, o real registrou forte valorização nesta segunda-feira.

O segundo turno está marcado para 25 de outubro, e novas pesquisas, declarações dos candidatos e sinalizações sobre política econômica tendem a continuar influenciando juros, câmbio e ações até lá.



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