Cachaças premium ganham terreno e bebida brasileira vende 3 vezes mais que vodka

Produtores das cachaças das prateleiras mais altas dos supermercados têm dois motivos para brindar. Além da celebração pelo dia da bebida símbolo do Brasil neste dia 13 de setembro, opções de maior qualidade estão ganhando participação de mercado. E mais: a bebida já vende 3 vezes mais do que a vodka, mostram dados da empresa de inteligência para o varejo, Scanntech.

O padrão de consumo da bebida destilada da cana-de-açúcar passa por mudança similar à observada em uma parte relevante da categoria de bebidas. Enquanto as preocupações com saúde e bem-estar reduzem o volume geral de vendas, compradores se tornam mais seletivos ao escolher o que ingerir.

“As pessoas consomem menos, mas consomem melhor. O volume recua enquanto as faixas mainstream e premium ganham participação”, explica o head de inteligência de mercados da Scanntech, Felipe Passarelli. Dados de janeiro a julho de 2026 apontam para uma queda de 6,6% nas vendas frente ao mesmo período do ano anterior.

Mas o resultado é melhor do que o de outras bebidas destiladas. A perda da vodka, por exemplo, foi duas vezes superior à aguardente, enquanto o whisky viu uma redução de 14,7% no período. “A cachaça transcende fronteiras culturais e geracionais, consolidando-se não apenas como um ícone nacional, mas como uma categoria estratégica tanto para o varejo quanto para a indústria de bebidas”, conta Passarelli.

A Scanntech organiza as marcas de cachaça da mais barato para a mais cara, considerando o preço médio por volume. Os 25% mais caros representam o segmento premium. Na faixa inicial, os primeiros 30%, está a categoria econômica. Entre 30% e 75%, está o segmento mainstream.

Acontece que, diferentemente do comportamento observado na cerveja, onde a tendência wellness leva consumidores para alternativas menos calóricas ou sem álcool, na cachaça a migração acontece entre faixas de preço. Enquanto a participação em volume de vendas da categoria econômica caiu de 27,8% para 24,2%, no mainstream houve avanço de 44,6% para 46%. Já no premium, a evolução foi de 27,6% para 29,9%.

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“Nossa leitura é de que o consumidor deixou de escolher cachaça só pelo preço. Ele passou a considerar marca, origem e qualidade, e aceita pagar mais por isso, principalmente quando consome menos”, aponta Passarelli. “Para a indústria, isso abre espaço para diferenciação. Para o varejo, é a oportunidade de gerar mais valor com a categoria.”

Vodka fica para trás

Quando excluídas as cervejas, a cachaça só perde em volume de vendas entre bebidas para o vinho e as misturas alcóolicas, como Skol Beats. Segundo a Scanntech, a pinga representa 9,6% das vendas em volume neste recorte, enquanto a tradicional bebida russa tem 5,1% de participação. Em último lugar do top 5 está o conhaque.

Na análise que compara o acumulado de janeiro a julho de 2026 com o mesmo
período de 2025, nota-se que a bebida patrimônio nacional do Brasil vende, em média, três vezes mais do que a vodka e, enquanto ela costuma ter pico de vendas apenas no final do ano, a cachaça se mantém estável.

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