Cosan (CSAN3) tem prejuízo 66% menor no 2T, a R$ 320 mi; dívida líquida cai 47%

A Cosan (CSAN3) encerrou o segundo trimestre de 2026 (2T26) com prejuízo líquido atribuível aos acionistas controladores de R$ 320 milhões, uma melhora de 66% em relação às perdas de R$ 946 milhões registradas no mesmo período do ano passado.

O resultado foi beneficiado pela redução das despesas financeiras, pela melhora da equivalência patrimonial das investidas e pela queda das despesas corporativas, apesar do impacto negativo de um impairment relacionado ao Terminal de Uso Privado (TUP) Porto São Luís.

No consolidado, a receita operacional líquida somou R$ 10,78 bilhões entre abril e junho, crescimento de 3% na comparação anual. O EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) atingiu R$ 3,52 bilhões, alta de 24% frente ao segundo trimestre de 2025. Com isso, a margem EBITDA avançou para 32,7%, ante 27,0% um ano antes, uma expansão de 5,7 pontos percentuais.

A companhia destacou que o trimestre foi marcado pela continuidade do processo de simplificação da estrutura de capital, incluindo o IPO da Compass (PASS3), pré-pagamentos de dívidas, desinvestimentos e a homologação do plano de recuperação extrajudicial da Raízen.

Um dos principais fatores para a melhora do resultado foi a reversão da contribuição da equivalência patrimonial. A linha passou de resultado negativo de R$ 173 milhões no segundo trimestre de 2025 para resultado positivo de R$ 447 milhões no segundo trimestre deste ano.

Segundo a companhia, o desempenho refletiu principalmente os resultados mais fortes da Rumo (RAIL3) e da Moove, além da ausência de novos impactos da Raízen sobre o resultado da holding. Como o investimento na Raízen foi reduzido a zero ao final de 2025, a companhia deixou de reconhecer perdas por equivalência patrimonial da controlada.

As contribuições positivas da Rumo e da Moove foram parcialmente compensadas por menores resultados de Compass e Radar.

Impairment do Porto São Luís limita melhora do resultado

O principal efeito negativo do trimestre foi o reconhecimento de um impairment de aproximadamente R$ 233 milhões relacionado ao TUP Porto São Luís, após a aceitação de uma proposta vinculante para venda do ativo.

Continua depois da publicidade

A Cosan informou ter assinado uma carta de intenções para alienação de 100% da participação no terminal pelo valor indicativo de R$ 300 milhões, além da possibilidade de recebimento de earn-outs futuros relacionados à expansão do ativo.

Desconsiderando esse efeito extraordinário, o prejuízo da holding teria sido de R$ 167 milhões no trimestre.

Resultado financeiro melhora após pré-pagamento de dívidas

Continua depois da publicidade

O resultado financeiro da holding ficou negativo em R$ 552 milhões, uma melhora de R$ 106 milhões frente ao resultado negativo de R$ 657 milhões registrado um ano antes.

A companhia atribuiu o desempenho ao aumento das receitas financeiras com aplicações e, principalmente, aos efeitos das iniciativas de gestão do passivo realizadas ao longo dos últimos meses. Apenas no primeiro semestre, os pré-pagamentos somaram R$ 8,8 bilhões em principal de dívida.

As despesas gerais e administrativas da holding também recuaram, passando de R$ 78 milhões para R$ 42 milhões, refletindo a reestruturação organizacional e a redução de custos corporativos.

Continua depois da publicidade

Números das investidas

Entre as principais empresas do portfólio, a Rumo (RAIL3) registrou EBITDA ajustado de R$ 2,27 bilhões, praticamente estável na comparação anual, enquanto o lucro líquido avançou 56%, para R$ 520 milhões.

A Compass (PASS3) elevou o EBITDA em 5%, para R$ 1,28 bilhão, mas teve queda de 19% no lucro líquido, para R$ 287 milhões.

Continua depois da publicidade

Já a Moove registrou crescimento de 24% na receita líquida, para R$ 2,78 bilhões, mas apresentou recuo de 6% no EBITDA e queda de 43% no lucro líquido, refletindo uma base de comparação forte no ano anterior.

A Radar teve trimestre mais fraco, impactada pela reavaliação de terras e por menores receitas de arrendamento, encerrando o período com prejuízo de R$ 30 milhões.

Dívida líquida cai 47% após IPO da Compass

O principal destaque do balanço foi a forte redução do endividamento da holding. A dívida líquida expandida encerrou junho em R$ 9,2 bilhões, queda de 47% na comparação anual e de 20% em relação ao primeiro trimestre.

A melhora foi impulsionada principalmente pelos recursos obtidos com o IPO da Compass, que gerou cerca de R$ 2,3 bilhões líquidos para a Cosan, além de desinvestimentos realizados ao longo dos últimos 12 meses.

A companhia encerrou o trimestre com caixa e equivalentes de R$ 7,3 bilhões na holding. No consolidado, o caixa alcançou R$ 13,4 bilhões, enquanto o patrimônio líquido somava R$ 31,9 bilhões ao fim de junho.

A administração também anunciou um guidance para o Índice de Cobertura do Serviço da Dívida (ICSD), projetando que o indicador evolua da atual marca de 0,2 vez para uma faixa entre 0,8 vez e 1,2 vez até o fim de 2026, sustentado pela redução das despesas financeiras e pela expectativa de recebimento de dividendos das investidas.



Clique aqui e acesse a fonte da matéria