- agosto 13, 2026
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A CPFL Energia (CPFE3) registrou um lucro líquido de R$1,44 bilhão no segundo trimestre, 21,3% maior do que o apurado um ano atrás, com o crescimento do mercado da distribuição de energia apoiado pela demanda residencial e de data centers, segundo balanço divulgado na noite desta quinta-feira.
O desempenho operacional da companhia elétrica, medido pelo Ebitda, somou R$3,56 bilhões, 17,4% acima do registrado em igual trimestre de 2025, enquanto a receita líquida atingiu R$11,11 bilhões, alta de 5,3%.
Na distribuição de energia, maior negócio da CPFL, o Ebitda avançou 11,4%, para R$2,3 bilhões. O destaque foram as classes residencial, cuja demanda foi impulsionada por temperaturas mais elevadas do que um ano atrás, e comercial, com efeito da expansão dos data centers no interior paulista, região que se consolidou como o principal polo dessa indústria no país.
A demanda de energia para data centers nas áreas atendidas pela CPFL aumentou 35% ante o segundo trimestre de 2025, depois de já ter crescido 24% nos primeiros três meses do ano, segundo dados da empresa.
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À Reuters, o CEO da CPFL, Gustavo Estrella, afirmou que já existem gargalos para atender à demanda por novos projetos de data centers no interior paulista, e que levaram a companhia a negar quase 8 gigawatts (GW) em pedidos de conexão de energia para esses empreendimentos.
“Tem muita duplicidade (nos 8 GW), alguma especulação também… Tem um pouco de tudo. Mas há demanda, disso não há dúvida nenhuma, especialmente para essa região.”
Ele ressaltou ainda que os desafios estão associados principalmente ao crescimento da rede de transmissão de energia, que ocorre de forma mais lenta do que o necessário para suprir o enorme consumo projetado para os data centers.
“Com cada vez mais frequência, a gente vê data center de 100 megawatts (MW). Campinas, que tem 1,2 milhão de clientes, a demanda da cidade inteira é de 350 MW. Então, se chegam para nós três pedidos de data center, isso significa dobrar uma cidade como Campinas”.
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Já na área de geração de energia, a CPFL prevê aderir ao termo de compromisso disponibilizado pelo governo federal para garantir ressarcimento retroativo por cortes de geração sofridos por suas usinas renováveis. Em cálculos preliminares, a companhia estima ter direito a cerca de R$500 milhões em reembolsos, mas ainda não contabilizou os valores no balanço, disse o CEO.
CRESCIMENTO E EL NIÑO
Em relação a oportunidades de crescimento para a CPFL, Estrella apontou que, por enquanto, as principais “avenidas” estão nos leilões do setor elétrico, enquanto o mercado de fusões e aquisições (M&As, na sigla em inglês) não oferece ainda ativos relevantes que estejam à venda.
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O executivo destacou o leilão de baterias de dezembro, o primeiro do tipo a ser realizado pelo Brasil. “Acho que abre uma perspectiva nova, vamos ver que tipo de competição a gente vai enfrentar, esse é o nosso desafio. Possivelmente a gente vai estar lá.”
Em paralelo, a CPFL tem intensificado ações de preparação para um El Niño severo e que poderá afetar suas operações de distribuição, transmissão e geração. No mês passado, a companhia enfrentou uma forte tempestade atípica em Ribeirão Preto e que representou um “desafio enorme”, testando sua capacidade de resposta a eventos climáticos extremos, disse o CEO.
“Numa tempestade de menos de 30 minutos, caíram 54 torres, 348 postes, 410 árvores na minha rede. Chegamos a ter 330 mil clientes desligados no pico, ao longo da sexta-feira, e restabelecemos o serviço para eles no final de semana.”
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Para Estrella, um dos principais temas a serem discutidos no planejamento para eventos climáticos extremos é o da vegetação, afirmando que “não existe rede nova, resiliente, robusta, moderna, digital, que aguente” quedas de árvores de várias toneladas.
Ele acrescentou que a elétrica vem implementando medidas de proteção e resiliência de suas operações desde 2024, por ocasião das enchentes no Rio Grande do Sul, Estado onde a CPFL tem parte importante de seus negócios.


