- julho 4, 2026
- Posted by: admin
- Category: Notícias
A sequência de crises enfrentadas por Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nas últimas semanas ainda não produziu uma disparada de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas pesquisas eleitorais, segundo dados da última rodada da pesquisa AtlasIntel/Bloomberg, divulgada nesta semana.
Para analistas que participaram do Mapa de Risco, programa de política do InfoMoney, porém, o cenário trouxe um ganho importante ao presidente sobre a percepção de que sua candidatura voltou a um ambiente de maior estabilidade.
Segundo Yuri Sanches, head de análise política da AtlasIntel, os levantamentos mais recentes mostram que Lula conseguiu interromper o movimento de desgaste observado nos meses anteriores, ao mesmo tempo em que Flávio ainda não recuperou o terreno perdido desde a divulgação do áudio envolvendo o empresário Daniel Vorcaro.
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“O presidente Lula fica em um patamar um pouco mais confortável, capitalizando em cima do momento de fragilidade que Flávio Bolsonaro ainda enfrenta. Já o Flávio continua lutando para retornar aos patamares anteriores à divulgação do áudio, o que até agora não aconteceu. Mas eu não diria que esse cenário está consolidado até outubro”, afirmou durante programa.
Na avaliação do analista, o movimento observado nas pesquisas não indica uma migração expressiva de eleitores para Lula. O principal efeito da crise foi reduzir a pressão sobre o presidente e devolver previsibilidade a uma disputa que, até pouco tempo atrás, vinha registrando forte crescimento da candidatura de Flávio.
Esse cenário também ajuda a explicar por que a campanha petista passou a adotar um discurso menos defensivo nas últimas semanas. Em vez de responder aos ataques da oposição, o Planalto voltou a concentrar esforços na agenda econômica e em propostas voltadas ao custo de vida, apostando que a recuperação da percepção sobre a economia será suficiente para preservar a vantagem construída recentemente.
Para a analista de política da XP Bianca Lima, a crise do adversário não elimina os desafios de Lula. Ela avalia que a eleição continua aberta e dependerá, sobretudo, da capacidade de cada campanha de dialogar com o eleitor independente.
“O eleitor que não está completamente identificado com nenhum dos dois campos continua sendo o mais sensível aos acontecimentos da campanha. É ele quem reage mais rapidamente a crises de imagem, à economia e aos temas que entram no debate público”, afirmou.
Os analistas destacam que esse grupo foi decisivo para o crescimento de Flávio no início do ano e também para o recuo registrado após o caso Master. Por isso, a recuperação da candidatura do senador dependerá menos da mobilização da base bolsonarista e mais da capacidade de reconquistar eleitores moderados.
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Na leitura de Yuri Sanches, o momento favorece Lula mais pela interrupção das dificuldades do principal adversário do que por uma mudança estrutural da corrida presidencial.
Com pouco mais de dois meses até a eleição, a vantagem do presidente ainda é considerada reversível, mas a disputa deixou de ser marcada apenas pelo avanço de Flávio e passou a transmitir uma sensação maior de estabilidade para a campanha do petista.


