Flávio evita risco do último debate, mas abre mão da maior vitrine da reta final

A saída de Flávio Bolsonaro (PL) do debate da TV Globo alterou a estratégia da campanha a menos de três dias do primeiro turno. Até poucas horas antes do programa, o senador pretendia comparecer mesmo sem Luiz Inácio Lula da Silva (PT), explorar a ausência do presidente e usar o debate para ampliar sua exposição.

A preparação incluía tom mais moderado, mensagens voltadas às redes e respostas sobre temas como Banco Master e Nossa Senhora Aparecida.

O cálculo mudou depois que a ministra Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), proibiu a Globo de exibir o púlpito vazio reservado a Lula. Flávio atribuiu sua decisão ao que chamou de “censura imposta ao evento pelo TSE”.

A campanha perdeu, com a decisão judicial, o principal recurso visual que pretendia usar contra o presidente. A ordem não impedia críticas verbais à ausência de Lula, mas esvaziava parte da estratégia preparada para o programa.

Sem Lula, Flávio viraria o principal alvo

A exposição na Globo também trazia um risco adicional, colocando Flávio como o único dos dois líderes das pesquisas no palco.

Ronaldo Caiado (PSD), Augusto Cury (Avante) e outros candidatos tentam reduzir o voto útil concentrado nos dois primeiros colocados. A CNN informou que as campanhas de Cury e Caiado preparavam ataques a Flávio justamente com esse objetivo.

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O senador teria tempo de televisão em rede nacional, mas enfrentaria adversários interessados em questioná-lo sobre temas sensíveis sem a presença de Lula para dividir as atenções.

Esse cálculo já havia influenciado a campanha durante a eleição. Aliados defendiam evitar debates sem o presidente por considerar que Flávio poderia assumir sozinho o papel de principal alvo.

Entrada de Renan elevou a pressão

O cenário ainda mudou poucas horas antes do programa com uma decisão de Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, que garantiu a participação de Renan Santos (Missão).

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Renan disputa parte do eleitorado insatisfeito com os dois principais candidatos e aparece entre 3% e 8% nas pesquisas recentes, dependendo do instituto.

Não há evidência de que sua entrada tenha determinado a decisão de Flávio. O argumento público apresentado pelo senador foi a proibição do púlpito vazio. A inclusão de mais um adversário, porém, ampliou o número de candidatos que poderiam confrontá-lo no palco.

Lula evita debate, mas ocupa outro espaço

As estratégias dos dois líderes terão uma diferença relevante nesta quinta-feira. Lula ficará fora da Globo, mas concederá entrevista ao vivo ao Flow Podcast a partir das 20h45, pouco antes do início do debate, marcado para 21h30.

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Com isso, o presidente mantém exposição pública em um ambiente no qual pode desenvolver respostas sem réplicas e tréplicas dos adversários.

Flávio ficará fora do debate e, até o momento, não anunciou uma aparição equivalente em outro programa de grande audiência no mesmo horário.

Para o PL, a vantagem é reduzir a possibilidade de um erro, confronto desfavorável ou imagem negativa nos últimos dias. O custo é abrir mão de uma audiência nacional justamente depois de a campanha ter investido na preparação do senador para o programa.

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Com Lula e Flávio fora, o último debate antes do primeiro turno perde os dois nomes que concentram a maior parte das intenções de voto. Para os demais candidatos, aumenta o espaço de exposição. Para Flávio, a escolha reduz o risco de um confronto imprevisível, mas também elimina uma das últimas oportunidades de falar para um público amplo antes da votação.



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