Food To Save transformou comida que iria ao lixo em um negócio de R$ 220 milhões






Todo empreendedor procura um problema grande para resolver. Lucas Infante encontrou o dele dentro de padarias, supermercados e restaurantes. Enquanto administrava uma franquia do Carrefour Express, na Espanha, Infante se deparou com alimentos próprios para consumo sendo descartados diariamente porque não encontravam compradores a tempo.

Foi dessa indignação com o desperdício de comida e também de dinheiro, que em 2021 nasceu em a Food To Save. A startup conecta consumidores a estabelecimentos de alimentação com produtos excedentes vendidos por meio das chamadas “sacolas surpresa”.

O modelo, criado durante a pandemia, transformou um custo para o varejo em uma nova fonte de receita e levou a empresa a faturar mais de R$ 160 milhões em 2025, com expectativa de ultrapassar R$ 200 milhões em 2026.

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Segundo Infante, a empresa nunca quis ser apenas um aplicativo de descontos.

“Antes de ser um app, a gente é o maior movimento contra o desperdício de alimentos do Brasil”, revelou orgulhoso o fundador e CEO para o programa Do Zero ao Topo.

Hoje, a Food To Save está presente em mais de 100 cidades e já é um dos aplicativos mais baixados do Brasil.

A lógica do negócio é simples: produtos próximos ao vencimento ou que não foram vendidos ao longo do dia são reunidos em sacolas vendidas com desconto ao consumidor. Mas a grande inovação veio justamente da forma como esse produto é apresentado.

“A gente sempre fala para os colaboradores e para os operadores: Monte como se fosse para você. Isso aqui não é a lata do lixo. Isso aqui é um modelo de negócio que evita o desperdício”, diz o CEO. “Você abriria com a sua família? Então, tem um trabalho a mais. Não é simplesmente ‘vamos escalar a qualquer preço”, afirmou Infante.

Sem canibalizar clientes

A criação da sacola surpresa nasceu de uma preocupação dos próprios comerciantes. Uma experiência que mistura economia, sustentabilidade e um toque de curiosidade, já que o cliente só descobre os produtos que recebeu ao abrir a embalagem.

Segundo o fundador, muitos parceiros diziam que já possuíam espaços físicos para liquidar produtos próximos ao vencimento e temiam que um aplicativo de descontos acabasse desviando consumidores das compras tradicionais.

“Se você começar vender na sua plataforma a mesma coisa que eu vendo, você vai viciar o cliente a comprar mais barato. Você vai estar competindo comigo.”

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Ao esconder exatamente quais itens serão entregues, a Food To Save evita canibalizar as vendas convencionais do estabelecimento e facilita a operação do parceiro. Para Infante, o crescimento só faz sentido porque beneficia todos os envolvidos.

“Eu não canibalizo a venda. Eu facilito o operacional. A gente criou um modelo ganha, ganha, ganha.”

Hoje a empresa opera em centenas de municípios brasileiros, conectando mais de 12 mil estabelecimentos e milhares de consumidores diariamente.

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“O estabelecimento ganha uma receita incremental. Já o brasileiro tem acesso a algum produto ou alimento, que não faz parte do dia a dia, com quase 70% de desconto. E tem ainda o impacto ambiental. Afinal a gente [Brasil] joga R$ 60 bilhões por ano de comida fora”, conclui Lucas.

Para saber mais detalhes sobre a Food to Save veja o episódio completo no Do Zero ao Topo. O programa está disponível em vídeo no YouTube e em sua versão de podcast nas principais plataformas de streaming como ApplePodcasts, Spotify, Deezer,  Spreaker,  Castbox  e  Amazon Music.

Sobre o Do Zero ao Topo

O podcast Do Zero ao Topo é uma produção do InfoMoney e traz, a cada semana, a história de mulheres e homens de destaque no mercado brasileiro para contar a sua história, compartilhando os maiores desafios enfrentados ao longo do caminho e as principais estratégias usadas na construção do negócio.



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