Ibovespa destoa de NY e cai 0,93% após bater maior patamar em um mês; entenda motivos

O Ibovespa destoou da performance positiva dos ativos domésticos e dos índices de Nova York nesta segunda-feira, 6. Há novos sinais de saída de recursos estrangeiros da renda variável brasileira, com rotação de carteiras globais favorecendo empresas de tecnologia e Inteligência Artificial.

No cenário doméstico, a proximidade com as eleições, que renova receios com a qualidade da política fiscal a partir de 2027, e o início da audiência do Escritório do Representante dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) também limitaram o apetite por ações.

Após alcançar o maior valor em um mês na sexta-feira, o Ibovespa fechou com queda de 0,93%, aos 172.447,58 pontos, e giro financeiro de R$ 16,94 bilhões. Entre a máxima de abertura (174.057,47 pontos; -0,01%) e a mínima (171.621,70 pontos; -1 41%) pela manhã, perdeu cerca de 2.400 pontos. Com isso, a referência da B3 se descolou de Wall Street, que teve altas de 0 29% (Dow Jones) a 1,12% (Nasdaq).

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Para o analista Nícolas Mérola, da EQI Research, o mercado de ações brasileiro passa por um momento de “compasso de espera”, em que investidores estrangeiros pretendem precificar bem a IA antes de voltar a olhar para outros mercados.

Como os investidores estrangeiros são responsáveis por mais da metade do volume financeiro da Bolsa, um menor apetite deles é relevante para a performance do índice. Apesar de quinta-feira, 2, ter trazido entrada de R$ 567,6 milhões para a Bolsa, o acumulado do mês de julho ainda é de retirada de R$ 22,223 milhões em recursos externos.

Mérola, da EQI, crava ainda que o processo eleitoral brasileiro se aproxima e causa maior temor e volatilidade por parte dos investidores, tanto locais quanto internacionais.

O head de Alocação da InvestSmart XP, Daniel Nogueira, concorda que ao adentrar no segundo semestre, a pauta eleitoral vai ficando cada vez mais relevante, e nota que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem ganhado margem em relação ao senador e pré-candidato do PL, Flávio Bolsonaro. “Apesar de Lula não ser o candidato favorito do mercado, não é um candidato novo. O fator surpresa não existe tanto, mas é uma quebra de expectativa em relação a ter uma âncora fiscal e comprometimento com reformas” firme, avalia.

Junto das eleições, há ainda incerteza quanto à relação do Brasil com a maior economia do mundo. Nesta segunda-feira, começou a audiência pública do Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR, na sigla em inglês) a respeito de práticas comerciais do Brasil, que foi monitorada com atenção por operadores de renda variável.

Em termos setoriais, a eliminação da Seleção brasileira na Copa do Mundo no domingo também fez preço. Quarta ação mais negociada nesta segunda, a Ambev caiu 2,52% com o entendimento do mercado de que haverá menos consumo de bebidas com o Brasil fora da competição, afirma Nogueira, da InvestSmart XP.

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Outra atenção do mercado é a política monetária. Ainda que o boletim Focus tenha trazido alívio na inflação de 2026, com a mediana das projeções saindo de 5,33% para 5,30%, não alterou muito a leitura de juros altos por mais tempo no Brasil. O cenário é negativo para a renda variável, pois dizima o lucro futuro das empresas.

Enquanto na sexta-feira, quando não houve pregão em Wall Street, o dia foi marcado por frenesi com a produção de maio abaixo do esperado e o entendimento de que ao menos um corte de 0,25 ponto porcentual na Selic em agosto seria provável, nesta segunda-feira houve uma correção nos preços do mercado acionário brasileiro. Tanto que as maiores quedas do Ibovespa vieram de ações cíclicas, como Totvs, Lojas Renner e Yduqs caindo mais de 4%, ignorando o fechamento da curva de juros.

O índice também foi pressionado pela queda das blue chips, com bancos cedendo de 0,42% (Itaú PN; ITUB4) a 1,05% (Banco do Brasil ON; BBAS3), além de Petrobras (PETR3;PETR4) e Vale (VALE3) cedendo mais de 1%.

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Agora, as atenções na semana ainda se voltam sobretudo para a ata do Federal Reserve (Fed), na quarta-feira, 8, e para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de junho, na sexta, que podem influenciar as apostas para os juros básicos nos Estados Unidos e no Brasil.



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