- julho 2, 2026
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- Category: Notícias
O Ibovespa fechou em alta nesta quinta-feira, mas distante da máxima da sessão, quando superou os 174 mil pontos em meio à repercussão de dados mais fracos sobre a criação de empregos nos Estados Unidos.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 0,64%, a 172.787,62 pontos. No melhor momento, chegou a 174.425,69 pontos, máxima intradia em um mês. Na mínima da sessão, marcou 171.697,17 pontos. O volume financeiro somou R$19,9 bilhões.
A economia norte-americana abriu 57.000 postos de trabalho fora do setor agrícola no mês passado, de acordo com o Departamento do Trabalho dos EUA, enquanto previsões de economistas consultados pela Reuters apontavam a abertura de 110.000 vagas. A taxa de desemprego, por sua vez, caiu para 4,2%, de 4,3% em maio, indicando uma estabilidade contínua no mercado de trabalho.
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Os números reforçaram as apostas de manutenção da taxa básica de juros da maior economia do mundo neste mês e reduziram as expectativas de alta para setembro.
No fim da tarde, segundo a ferramenta FedWatch da CME, o mercado precificava uma probabilidade de 82,4% de o Federal Reserve manter a taxa no intervalo atual entre 3,50% e 3,75%. Na véspera, a chance era de 71,1%. Para setembro, FedWatch apontava probabilidade de 54% de alta no custo dos empréstimos, de 64,1% na véspera.
“Apesar da surpresa negativa sobre a criação de vagas, o crescimento do emprego em junho continua amplamente consistente com o ritmo atual de expansão da força de trabalho e, em nossa visão, não constitui evidência de enfraquecimento do mercado de trabalho”, afirmaram os economistas Luiza Paparounis e Francisco Lopes, do BTG Pactual.
“Para o Fed, a barra para uma alta de juros em julho já era bastante elevada, e o relatório de hoje reduz essa probabilidade ainda mais”, afirmaram em nota a clientes. “Nosso cenário-base continua sendo o de que o Fed começará a reverter os cortes preventivos de juros realizados em 2025 na reunião de setembro, seguido por novas elevações em dezembro e, possivelmente, em março de 2027.
Em Nova York, o S&P 500, uma das referências do mercado acionário norte-americano, reagiu positivamente aos dados, mas perdeu fôlego com o declínio de ações de tecnologia e fechou estável antes do feriado nos EUA na sexta-feira, o que corroborou o enfraquecimento no pregão brasileiro.
Além disso, as taxas dos DIs reverteram a queda motivada pelos números de emprego dos EUA e encerraram a quinta-feira em alta, com especulações em torno da corrida eleitoral no Brasil e um leilão robusto de títulos prefixados do Tesouro.
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Profissionais citaram o noticiário político como um dos motivos para a piora dos mercados no Brasil. Nos últimos dias, o noticiário revelou o fortalecimento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na disputa com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pelo Planalto, além dos atritos entre o parlamentar e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.
Desde quarta-feira os agentes também esperavam a publicação de nova reportagem do site Intercept Brasil envolvendo a família Bolsonaro e o financiamento do filme sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro. Às 12h o Intercept publicou a reportagem, que girou em torno de um fundo nos EUA que recebeu dinheiro do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro — no centro de um escândalo financeiro e apontado como um dos supostos financiadores do filme sobre Jair Bolsonaro.
De modo geral, notícias desfavoráveis à família Bolsonaro vêm sendo interpretadas como negativas para a candidatura de Flávio à Presidência, elevando as chances de reeleição de Lula — algo mal-visto por boa parte do mercado.
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Alívio no payroll, mas com cautela
Voltando ao cenário externo, para Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, o payroll reforça a percepção de que o mercado de trabalho americano começa a perder fôlego, o que reduz parte da pressão para uma política monetária ainda mais restritiva, mas a queda da taxa de desemprego mostra que a economia continua suficientemente resiliente para impedir uma mudança imediata de postura pelo Federal Reserve.
“Na prática, o dado mantém o cenário de cautela, com decisões cada vez mais dependentes dos próximos indicadores de inflação e atividade, favorecendo uma acomodação dos juros dos Treasuries e um ambiente mais construtivo para ativos de risco, desde que a desaceleração econômica permaneça gradual e sem sinais de deterioração mais intensa”, aponta.
Edgar Araujo, CEO da Azumi Investimentos, também recomenda parcimônia. Para o Federal Reserve, o dado aumenta a pressão por uma postura menos dura, mas ainda não resolve o dilema dos juros. Os salários seguem avançando, com alta de 0,3% no mês e 3,5% em 12 meses, o que mantém atenção sobre a inflação de serviços.
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“Por isso, o relatório reforça um cenário de cautela: o mercado de trabalho já mostra fissuras, mas ainda não enfraqueceu o bastante para garantir uma virada clara na política monetária. Para os ativos de risco e mercados emergentes, incluindo o Brasil, isso tende a manter a volatilidade elevada, com investidores recalibrando apostas sobre juros americanos, dólar e prêmio de risco”, avalia.
Leonel Oliveira Matos, analista de Inteligência de Mercados da StoneX, aponta que, de qualquer forma, o mercado não deixou de precificar uma nova alta de juros, mas passou a enxergar menos urgência para que o Federal Reserve promova esse ajuste no curto prazo, adiando as expectativas para os próximos meses.
Esse movimento reduz a atratividade dos títulos do Tesouro americano (Treasuries), dificulta a entrada de capital nos Estados Unidos, enfraquece o dólar em âmbito global e, consequentemente, exerce pressão baixista sobre a taxa de câmbio no Brasil.
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Vinicius Flores, analista de investimentos e sócio da gestora Stratton Capital, também reforça que os impactos imediatos da divulgação do dado são um dólar mais fraco, tendo em vista que a taxa de juros deve se manter estável por mais tempo, mas é positivo para a bolsa americana, pois com uma probabilidade mais alta de taxa de juros estável, há mais espaço para as ações subirem.
(com Reuters)

