Irã avalia atacar bases dos EUA na Europa, diz Financial Times

Autoridades iranianas avaliaram atacar bases militares dos Estados Unidos na Europa caso o conflito no Oriente Médio se intensifique. A informação é do Financial Times, que ouviu duas fontes ligadas ao regime de Teerã e publicou a reportagem nesta quarta-feira (19). Segundo o jornal britânico, ativos americanos localizados na Bulgária e no Chipre estariam entre os possíveis alvos.

As negociações entre Washington e Teerã para encerrar a guerra estão paralisadas, sem sinais de retomada no curto prazo. Na terça-feira (18), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que não há conversas em andamento com o Irã e que não pretende retomá-las. Ele também descartou prorrogar o cessar-fogo de 60 dias que expirou na segunda-feira (17), depois de o acordo se desfazer na prática.

Os Emirados Árabes Unidos anunciaram nesta quarta a suspensão de todo comércio, intercâmbio comercial e transações financeiras com o Irã até nova ordem. A medida foi tomada um dia depois de o Ministério da Defesa emiradense informar ter detectado dois mísseis balísticos lançados do território iraniano em direção a suas águas territoriais. Segundo o comunicado, os projéteis caíram no mar e não causaram danos ou vítimas. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, negou que Teerã tenha mirado o país vizinho.

Um dos principais pontos de atrito da crise segue sendo o controle do Estreito de Ormuz, corredor estratégico para o transporte de petróleo. Trump tem reiterado que a via está aberta e opera sob controle americano, mas o tráfego de embarcações na região continua extremamente baixo. Nesta semana, um ataque a um navio cargueiro que cruzava o estreito matou uma pessoa. A Fox News citou nesta terça-feira um porta-voz militar iraniano, que declarou que os navios que tentarem cruzar o estreito “vão encontrar alguns belos buracos em seus cascos”.

Trump também ampliou os ataques verbais a aliados históricos dos Estados Unidos. Na segunda-feira (17), o presidente ameaçou bombardear o Omã caso o país “atrapalhe” os objetivos americanos na região. Ele ainda determinou ao secretário de Defesa, Pete Hegseth, que reduza “substancialmente” os exercícios militares conjuntos com a Coreia do Sul, acusando Seul de não ajudar nas operações militares dos EUA contra o Irã e citando sua relação amistosa com o líder norte-coreano, Kim Jong Un.



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