- setembro 28, 2026
- Posted by: admin
- Category: Notícias
A Polícia Antiterrorista do Reino Unido investiga um suposto plano de ataque terrorista contra a base aérea da Força Aérea Real (RAF, na sigla em inglês) em Fairford, no sul da Inglaterra, usada pelos Estados Unidos.
Cinco suspeitos foram presos no domingo, 27, mas liberados nesta segunda-feira, 28, sob fiança. Eles estavam em três vans, que estão sendo periciadas.
O que diz a polícia local?
A Polícia de Gloucestershire afirmou que, por volta das 00h45 de domingo, recebeu uma denúncia de que três veículos suspeitos estavam se dirigindo para a base aérea da RAF em Fairford. Segundo a corporação, policiais foram até o local e prenderam cinco suspeitos.
Inicialmente, os homens foram detidos por crimes previstos na Lei de Explosivos. Depois, no entanto, foram acrescentadas suspeitas de preparação de ato terrorista, com base na Lei de Terrorismo do Reino Unido.
Uma área de 400 metros foi isolada ao redor dos veículos e, por precaução, cerca de 85 famílias foram retiradas de imóveis na região. Apesar de o isolamento ainda estar em vigor, as pessoas foram autorizadas a retornar para suas casas no fim da tarde desta segunda-feira.
O que diz a testemunha?
Uma fazendeira local que afirmou ter visto os suspeitos nas proximidades da base aérea contou sua versão à emissora britânica BBC.
Continua depois da publicidade
A mulher, que não teve a identidade revelada, disse que acionou os policiais por volta das 1h36, após ver um grupo grande de homens encapuzados e mascarados nos campos próximos à instalação. Ela acrescentou que ficou chocada por ter cabido a ela, como cidadã, ver e denunciar os homens.
O que diz Trump?
Ao ser questionado sobre o caso no domingo, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que os suspeitos foram detidos após uma cooperação entre Washington e Londres e que estavam sendo “monitorados” havia algum tempo.
“Nós estávamos investigando-os. Eles queriam causar graves danos à nossa base”, disse Trump. Ele acrescentou que sabia “tudo” sobre os suspeitos e que “muito em breve haverá notícias a respeito”.
Continua depois da publicidade
O chefe da Polícia Antiterrorista, comissário adjunto Laurence Taylor, no entanto, não confirmou que os policiais tinham conhecimento prévio sobre a situação. “Também estou muito consciente de que existe muita especulação sobre o que pode ou não ter sido conhecido anteriormente a respeito de possíveis ameaças ou atividades. Como espero que o público compreenda, nem sempre poderei compartilhar esse tipo de informação”, disse Taylor em um comunicado divulgado na tarde desta segunda-feira.
O comissário também afirmou que a corporação está em contato com o MI5, serviço de inteligência interna do Reino Unido.
O que diz o governo britânico?
No domingo, o primeiro-ministro do Reino Unido, Andy Burnham, pediu que as pessoas não especulassem sobre quem estaria por trás da ação.
Continua depois da publicidade
“A investigação continua em andamento”, afirmou Burnham, que pediu aos britânicos que deixassem a polícia “estabelecer todos os fatos”.
Nesta segunda-feira, o ministro da Defesa britânico, Wes Streeting, não forneceu detalhes sobre a operação, mas afirmou que “foi um momento de orgulho” o fato de Trump ter reconhecido o trabalho que os policiais e os serviços de inteligência britânicos “fazem todos os dias”.
Streeting também elogiou a fazendeira que acionou a polícia, mas sugeriu que ela tinha apenas uma visão parcial do que havia acontecido.
Continua depois da publicidade
“Quero prestar homenagem a essa cidadã por sua vigilância”, afirmou. “Ela fez exatamente o que esperaríamos que alguém do público fizesse na situação em que se encontrava.”
“É claro que ela terá tido apenas uma visão parcial, e não quero ir além disso nem entrar em detalhes operacionais e de segurança neste momento”, acrescentou.
Quem são os presos?
A Polícia Antiterrorista não divulgou a identidade dos detidos, mas afirmou que todos são cidadãos britânicos de Londres e têm entre 23 e 25 anos.
No comunicado, Taylor disse que, após longas entrevistas e investigações, os suspeitos foram liberados sob fiança.
“Eles estão sujeitos a condições rigorosas quanto à sua movimentação e contato com outras pessoas. Eles continuam sob investigação enquanto exploramos diversas linhas de apuração”, afirmou o comissário.
Como está a investigação?
No mesmo comunicado, Taylor também confirmou que a Polícia Antiterrorista investiga a possibilidade de o atentado ter sido planejado por “representantes ou cidadãos que, consciente ou inconscientemente, atuam em nome de um Estado estrangeiro”.
Jornais britânicos, como o The Times e o The Telegraph, afirmaram que uma das hipóteses investigadas é de um possível vínculo dos suspeitos com o Irã. A Rússia e grupos militantes ligados a países também são investigados.
A Embaixada do Irã em Londres, no entanto, negou qualquer ligação com o suposto plano, afirmando em um comunicado divulgado nesta segunda-feira que “rejeita categoricamente e condena veementemente” o que classificou como “especulações infundadas e maliciosas” sobre o incidente na base aérea.
Os veículos em que os suspeitos estavam foram submetidos a perícia, com o apoio de recursos militares e especialistas forenses.
Objetos que podem ser explosivos encontrados perto da base aérea também são analisados. Segundo a agência de notícias britânica PA, até o momento, os policiais não encontraram artefatos que pudessem ser utilizados.
Inicialmente, o ex-primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, que deixou o cargo oficialmente em julho, não permitiu que os EUA usassem bases aéreas britânicas para atacar o Irã. No entanto, após ataques contra aliados britânicos em todo o Oriente Médio, Starmer mudou de posição e afirmou que permitiria ataques americanos “defensivos” contra o Irã a partir de Fairford. Discretamente, Burnham manteve essa política.
Em julho, a Guarda Revolucionária do Irã ameaçou atacar Fairford, advertindo que qualquer base utilizada para lançar ataques contra seu país constituiria um “alvo legítimo”.
Antes, a instalação já foi utilizada pelo Exército dos EUA em operações durante a Guerra do Golfo, no início dos anos 1990, e durante a Guerra do Iraque, em 2003.
*Com informações de agências internacionais.

