Preço de energia cai, mas Goldman Sachs vê oportunidade em Axia e Copel; entenda

A melhora recente das chuvas e uma demanda por eletricidade ligeiramente mais fraca aliviaram os preços de energia no Brasil no curto prazo. Para 2027, porém, o cenário é bem diferente: os contratos futuros continuam resistentes e acima das projeções do Goldman Sachs, abrindo espaço para ganhos principalmente para geradoras com maior volume de energia ainda não contratado, como Axia Energia (AXIA3) e Copel (CPLE3).

Em relatório sobre o setor elétrico brasileiro, os analistas Bruno Amorim, Guilherme Bosso e Huama Belmonte destacam que o preço líquido da energia para 2026 recuou para uma média de R$ 210 por megawatt-hora (MWh), ante R$ 255/MWh três meses antes. Já os preços de 2027 praticamente não se mexeram, passando de R$ 273/MWh para cerca de R$ 270/MWh.

A diferença mostra que o mercado ainda evita projetar para o futuro a melhora recente das condições hidrológicas. Segundo o banco, a grande variável para os preços de médio prazo será o comportamento das chuvas no período úmido, entre outubro e março.

O Goldman Sachs chama atenção particularmente para 2027: os contratos futuros estão em torno de R$ 270/MWh, significativamente acima da estimativa do banco, de R$ 220/MWh. A diferença representa potencial de alta para empresas mais descontratadas, como Axia e Copel, que podem comercializar energia aos preços do mercado.

O banco também espera dividend yields de dois dígitos nos próximos anos para as duas companhias. Para o longo prazo, a partir de 2030, a projeção do Goldman Sachs é de R$ 245/MWh, nível que, segundo os analistas, reflete o atual custo marginal de expansão do sistema.

Mais chuvas derrubam preços no curto prazo

A explicação para a queda dos preços de 2026 começa pela hidrologia. A CCEE projeta atualmente uma Energia Natural Afluente (ENA) equivalente a cerca de 88% da média de longo prazo neste ano. O percentual supera tanto a mediana dos últimos dez anos, de aproximadamente 79%, quanto a média do período, de 83%.

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Além disso, a projeção de 88% representa melhora relevante em relação aos 76% estimados três meses antes. A mudança foi provocada principalmente pelas maiores afluências durante o período seco, que chegaram a 136% da média histórica entre julho e setembro, considerando os dados disponíveis até a divulgação do relatório.

Para os três meses seguintes ao relatório, a CCEE estimava chuvas equivalentes a aproximadamente 87% da média de longo prazo, nível próximo da média dos dez anos anteriores.

A melhora hidrológica é particularmente importante para o Brasil devido à relevância das hidrelétricas na formação das condições de oferta de energia. Ainda assim, o banco considera limitada a visibilidade sobre as chuvas a partir do quarto trimestre.

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El Niño deixa 2027 em aberto

É a incerteza que ajuda a explicar por que os contratos de 2027 não acompanharam a queda observada nos preços de curto prazo.

Na avaliação do Goldman Sachs, ainda não está claro qual será o efeito do El Niño sobre os reservatórios do Sudeste, que representam cerca de 70% da capacidade de armazenamento do país, durante o quarto trimestre de 2026 e o primeiro trimestre de 2027. Esse período coincide com a estação úmida brasileira e com a fase em que o fenômeno tipicamente atinge seu pico.

A incerteza também foi identificada nas conversas dos analistas com consultores e operadores do mercado de energia. Por isso, a melhora recente das chuvas ainda não foi incorporada integralmente à curva mais longa de preços.

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Do lado do consumo, os números recentes também ajudaram a reduzir os preços de curto prazo. As projeções de setembro do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) apontavam crescimento anual da demanda de 4,8% no terceiro trimestre, ligeiramente abaixo dos 5,1% estimados anteriormente.

A principal explicação foi setembro, quando temperaturas abaixo da média pressionaram negativamente o consumo de eletricidade.

Para o quarto trimestre, entretanto, ocorreu o movimento oposto. O ONS passou a projetar crescimento anual da demanda de 6,3%, ante previsão anterior de 3,5%. A mudança reflete expectativas de temperaturas mais altas no país associadas ao El Niño, que, nas premissas apresentadas no relatório, atingiria seu pico em novembro.

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Assim, dois vetores passam a atuar em sentidos diferentes: enquanto uma hidrologia melhor aumenta a oferta disponível e ajuda a reduzir preços, temperaturas mais altas podem elevar o consumo de eletricidade.

O que isso significa para Axia e Copel?

Para o mercado acionário, o ponto central da análise do Goldman Sachs está menos na queda dos contratos de 2026 e mais na resistência dos preços futuros de 2027.

Com a energia do próximo ano negociada ao redor de R$ 270/MWh, frente aos R$ 220/MWh projetados pelo banco, empresas com mais energia disponível para contratação têm a possibilidade de vender volumes a preços superiores aos considerados nas estimativas dos analistas. Com isso, destaca Axia e Copel.

O quadro, contudo, permanece bastante dependente da hidrologia. Se a melhora observada durante o período seco continuar na estação úmida, a pressão sobre os preços poderá ganhar força. Por outro lado, o próprio comportamento dos contratos de 2027 mostra que o mercado ainda atribui peso relevante à incerteza sobre as chuvas e ao possível aumento da demanda.



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