- junho 28, 2026
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- Category: Notícias
Quando se olha para o mercado de ações ao longo dos últimos 100 anos, o que se vê é que um grupo minúsculo de empresas de capital aberto respondeu por quase todos os lucros dos investidores em todo o século.
A maioria dos melhores desempenhos vem de empresas de tecnologia, lideradas por Apple (AAPL34), Nvidia (NVDC34) e Microsoft (MSFT34). O que chama a atenção é que tanto a Tesla quanto, ainda que brevemente, a SpaceX (SPCX34), duas empresas de Elon Musk, conseguiram entrar nessa lista de desempenhos extraordinários.
Enquanto essas ações de elite entregaram retornos espetaculares, mais de 96% do mercado de ações praticamente não fizeram nada pelos investidores ao longo de períodos extensos. Essa imensa maioria das ações não conseguiu sequer igualar o retorno médio de 3,3% dos títulos do Tesouro americano de um mês — basicamente, o rendimento que seria possível obter mês a mês ao longo desses 100 anos, sem assumir risco relevante.
Essas conclusões vêm da atualização mais recente de um estudo de longa duração de Hendrik Bessembinder, professor de finanças da Universidade Estadual do Arizona, que reuniu um conjunto essencial e provocador de dados sobre investimento em ações. O estudo busca identificar os grandes geradores de riqueza de longo prazo desde 1926, ponto em que começam os dados usados por Bessembinder. A ascensão das gigantes de tecnologia, e o declínio relativo de todos os demais setores do mercado, alterou radicalmente o ranking na última década — e também em períodos mais curtos.
Por exemplo, a Tesla não aparecia na lista dos maiores geradores de riqueza nove anos atrás, quando uma versão anterior do estudo foi encerrada. Agora, a empresa ocupa a nona posição entre todas as companhias de capital aberto ao longo do século. Mais impressionante ainda: quando Bessembinder refez os cálculos a meu pedido em 16 de junho, poucos dias depois do IPO da SpaceX, a empresa entrou na lista das 30 maiores de todos os tempos, embora a queda de suas ações desde então a tenha tirado desse grupo seleto.
“Temos visto retornos muito altos de empresas extraordinariamente grandes nos últimos anos, e os primeiros dias da SpaceX como companhia aberta foram um estudo de caso disso”, disse ele. “Para mim, o mais impressionante nos últimos nove anos é que não só a criação de riqueza está altamente concentrada em poucas empresas, como essa tendência vem se acelerando.”
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As implicações
Em 2017, escrevi sobre a primeira versão do trabalho de Bessembinder sobre investimentos. O estudo já mostrava que os obstáculos para investidores que escolhem ações individualmente eram formidáveis. As ações da maioria das empresas não superavam nem mesmo os títulos básicos do Tesouro americano. Uma pequena parcela de grandes vencedoras sustentava o mercado inteiro, mas saber de antemão quais seriam as vencedoras era extremamente difícil.
Por isso, concluí que, para a grande maioria dos investidores, era muito menos arriscado evitar completamente a escolha individual de ações e, em vez disso, investir por meio de fundos diversificados e de baixo custo, especialmente fundos de índice que replicam o mercado como um todo.
Mas as conclusões de Bessembinder também deixavam claro que havia fortunas imensas a serem feitas por quem fosse habilidoso — ou sortudo — o suficiente para fazer as escolhas certas: se você selecionasse os melhores desempenhos e evitasse a maior parte dos perdedores, iria extraordinariamente bem.
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Essas duas percepções continuam verdadeiras hoje, talvez até mais do que antes. Ainda acho que a maioria das pessoas estará em melhor situação comprando uma pequena parte do mercado de ações inteiro, prática que eu mesmo continuo seguindo. Mas o potencial de obter riqueza enorme continua atraindo milhões de investidores, que correm para comprar ações “quentes”, como a SpaceX. Você terá de decidir o que faz mais sentido para você.
Definindo os termos
No primeiro estudo, a Exxon Mobil era a líder de desempenho entre 1926 e 2016, seguida por Apple, Microsoft, General Electric, IBM, Altria Group, Johnson & Johnson, General Motors e Walmart. Aquela lista retratava um mosaico diverso da economia, dominado por empresas antigas, com exceção de duas novatas, Apple e Microsoft, que fizeram IPO nos anos 1980.
Agora, Bessembinder dispõe de 100 anos de dados, com retornos de 1926 até dezembro.
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Só para colocar o IPO da SpaceX em perspectiva, ele atualizou os retornos aplicando a mesma metodologia usada para todas as ações de capital aberto acompanhadas ao longo do último século. Sua abordagem leva em conta dividendos e aquisições, e a comparação com títulos do Tesouro inclui ajuste pela inflação.
“Criação de riqueza ao longo da vida”, como Bessembinder define, está ligada não apenas ao desempenho das ações, mas também ao valor de mercado total da empresa. Isso significa que uma alta de 10% no preço das ações de uma gigante tem efeito muito maior sobre a criação total de riqueza do que uma alta de 10% em uma empresa pequena.
Isso é importante porque as empresas de tecnologia se tornaram gigantes, incluindo a SpaceX, que só está listada desde 12 de junho, mas já tem valor de mercado superior a US$ 2 trilhões. Quando ações de tecnologia fazem grandes movimentos, os retornos de 100 anos do mercado precisam ser realinhados.
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Um século inteiro
A economia mudou nos nove anos desde o primeiro estudo. Mais do que nunca, o grupo das líderes é dominado por ações de tecnologia, com apenas duas empresas tradicionais — Exxon Mobil e Walmart — permanecendo entre as 10 maiores de todo o século.
Aqui estão as líderes entre 1926 e dezembro, incluindo sua criação de riqueza ao longo da vida e a porcentagem dos US$ 91 trilhões de riqueza total gerada no mercado acionário pela qual cada uma foi responsável:
| Empresa | Criação de riqueza | Participação no total |
|---|---|---|
| Apple (AAPL34) | US$ 5,02 trilhões | 5,5% |
| Nvidia (NVDC34) | US$ 4,58 trilhões | 5% |
| Microsoft (MSFT34) | US$ 4,03 trilhões | 4,4% |
| Alphabet (GOGL34) | US$ 3,57 trilhões | 4,4% |
| Amazon (AMZO34) | US$ 2,27 trilhões | 2,5% |
| Broadcom (AVGO34) | US$ 1,6 trilhão | 1,8% |
| Exxon Mobil (EXXO34) | US$ 1,42 trilhão | 1,6% |
| Meta (M1TA34) | US$ 1,39 trilhão | 1,5% |
| Tesla (TSLA34) | US$ 1,3 trilhão | 1,4% |
| Walmart (WALM34) | US$ 1,2 trilhão | 1,3% |
Escolher essas ações — e apenas essas — no início de sua trajetória e mantê-las para sempre teria sido uma estratégia brilhante. Mas, além de exigir uma capacidade extraordinária de antecipação, permanecer com as vencedoras também exigiria sangue-frio, porque até as maiores ações do mercado passaram periodicamente por quedas abruptas.
Enquanto a enorme maioria das empresas não teve desempenho suficiente para justificar tanta ansiedade, um grupo relativamente pequeno compensou todo o resto, começando pela Apple. Fundada em 1976, a empresa abriu capital em 1980 e, sozinha, respondeu por 5,5% de toda a riqueza líquida gerada para os investidores em todo o mercado acionário desde 1926.
Talvez ainda mais surpreendente tenha sido o desempenho da Nvidia, fabricante de chips avançados para inteligência artificial. A empresa nem existia como companhia aberta até janeiro de 1999. Ainda assim, teve desempenho tão forte desde então que hoje aparece logo atrás da Apple no ranking de 100 anos, respondendo por 5% dos lucros líquidos dos investidores no último século.
Concentração
O mercado de ações mudou nos últimos nove anos de maneiras que, na minha visão, tornam as implicações gerais do estudo original ainda mais fortes.
Considere que, na nova versão de 100 anos do estudo, apenas as duas primeiras empresas, Apple e Nvidia, responderam por 10% da criação de riqueza até dezembro. No período de 1926 a 2016, eram necessárias cinco empresas para chegar a 10% da riqueza total dos acionistas.
As diferenças significativas dos últimos nove anos também aparecem de outras formas. Somada, a criação líquida de riqueza das 10 principais ações da nova lista chega a 29% do total de todo o século. No estudo anterior, as 10 maiores representavam apenas 17,1% da riqueza total.
O que explica todas essas mudanças é o crescimento explosivo das ações de tecnologia.
Já destaquei antes os riscos dessa concentração de riqueza nos mercados. Diversificar investimentos é mais importante do que nunca, mas alcançar uma diversificação verdadeira ficou mais difícil agora que inteligência artificial e semicondutores passaram a dominar vários mercados globalmente.
A ascensão da SpaceX reforça esse ponto. A empresa é tão grande e tão bem avaliada que fazer uma aposta individual relevante nela é arriscado. A história agora nos diz que a enorme riqueza gerada por ações desse tipo no setor de tecnologia também traz um risco em escala igualmente grandiosa.
c.2026 The New York Times Company

