Vamos (VAMO3) tem lucro líquido ajustado de R$ 101 mi no 2T, alta anual de 21,8%

A Vamos (VAMO3) divulgou seus resultados do segundo trimestre de 2026 na noite desta terça-feira (11). A companhia, pertencente ao grupo Simpar (SIMH3), teve lucro líquido ajustado de R$ 101,1 milhões, com alta de 21,8% na comparação com o mesmo período de 2025.

Sem ajustes, o lucro líquido ainda teve alta de 9% e ficou nos mesmos R$ 101 milhões, uma vez que a companhia não contou com efeitos não recorrentes neste trimestre. O lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda, na sigla em inglês) ajustado ficou em R$ 971,5 milhões, com alta de 6,6%.

O resultado é o primeiro divulgado sob a nova diretoria da companhia. Christian Hahn assumiu a presidência interina da Vamos no lugar de Gustavo Couto, e já fazia parte do grupo Simpar há cerca de nove anos. O executivo ajudou a estruturar a própria Vamos em sua fundação, a frente do segmento de concessionárias, que depois deu origem à rede Automob.

“Chegou o momento de retornar com algumas mudanças no nosso time e mais recente agora então a do Rodrigo”, afirma, se referindo ao novo CFO, Rodrigo Faria, em entrevista ao InfoMoney.

Já Faria, tornou-se CFO e Diretor de Relações com Investidores no lugar de José Cezário, que apresentou renúncia em 10 de agosto de 2026 por questões pessoais. Faria acompanha a Vamos desde o IPO da companhia, quando era gestor de fundos na Sul América Investimentos — uma das maiores acionistas da oferta — e ingressou no grupo há cerca de dois anos.

“A gente tem mapeado aqui sucessores. Eu tenho meu sucessor, todo mundo aqui tem sucessor”, disse Faria sobre o processo de transição, reforçando que a equipe de controladoria, contabilidade e tesouraria por trás do CFO dá base para a continuidade do trabalho.

Segundo os executivos, o trimestre não teve nenhum efeito não recorrente relevante. “Não tem absolutamente nada não recorrente. Fazia tempo que eu não via um trimestre tão limpo quanto o do segundo trimestre”, disse Faria.

A receita líquida consolidada somou R$ 1.564,3 milhões, alta de 10,8% ante o 2T25. A taxa de ocupação da frota atingiu 89% em junho — a maior desde 2020 —, com incremento sequencial de 1 ponto percentual pelo quarto trimestre consecutivo, faltando apenas 1 ponto para a meta de 90% estabelecida no guidance para o fim do ano.

A alavancagem (dívida líquida/Ebitda) recuou de 3,39 vezes no 2T25 para 3,00 vezes — mais de 10% de redução em um ano — e já atinge a meta que a companhia havia estabelecido para dezembro.

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“A gente acelerou um processo que organicamente eu já estava fazendo. Isso me antecipou seis meses em relação ao alvo deste ano, sem diluição para o investidor”, disse Faria, citando o aporte de R$ 600 milhões feito pelo BNDES Par via aumento de capital privado, que elevou a base acionária sem diluir o lucro por ação.

A dívida líquida encerrou o trimestre em R$ 11.561,1 milhões, queda de 6,1% na comparação anual.

“A maior geração de caixa operacional tanto por locação como por venda de ativos, combinada à uma menor necessidade de Capex Líquido e injeção de R$600 milhões do aumento de capital privado, nos permitiram reduzir o saldo de dívida líquida para fins de covenants em 4% em relação a março deste ano e amortizar, pelo terceiro trimestre consecutivo, o nosso saldo de cessão de recebíveis”, afirmou a companhia no comunicado de resultados.

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Seminovos crescem em volume

O Capex contratado somou R$ 1.554,2 milhões no trimestre, alta de 59,6% ante o 2T25, com destaque para o setor de varejo e e-commerce.

“Estamos conseguindo provar que por eficiência autossuficiência em alugar ativo, seja alugando ele de novo ou vendendo aquele ativo que está ocioso. A gente tem melhorado a ocupação, tem gerado mais caixa sem precisar comprar ativos para crescer de locação, porque eu já tenho um ativo dentro de casa, é só necessário alugar”, afirma Faria sobre a estratégia de locação de ativos usados.

Já em Seminovos, o volume de ativos vendidos cresceu 30% no trimestre, mas a receita avançou apenas 11,4%, efeito de um mix mais concentrado em carretas — ativos de ticket médio bem mais baixo que caminhões.

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Segundo os executivos, a demanda por usados poderia ter sido ainda maior não fosse a segunda fase do programa Move Brasil, que direcionou boa parte do crédito disponível para a compra de veículos novos, represando clientes que aguardavam contemplação.

“É uma receita de seminovos que foi postergada. Esses 11% que você está vendo aqui têm potencial para ser mais”, afirmou Faria, citando o aumento da receita no segmento.

A margem Ebitda de seminovos ficou positiva em 0,9%, dentro do guidance da companhia. Na divisão industrial (BMB e Truckvan), a receita líquida cresceu 30,3% no trimestre, com alavancagem operacional positiva.

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Tecnologia, novo produto de recorrência e site de vendas

Para os próximos trimestres, a Vamos aposta em uma frente mais forte de tecnologia — telemetria e sistemas de controle de frota e estoque — e na preparação de um novo produto, batizado provisoriamente de “Ciclo Vamos”, pensado para manter o cliente em recorrência com a companhia por meio de extensões de contrato, renovações antecipadas e novas locações ao final de cada ciclo.

Hahn também sinalizou a possibilidade de a companhia passar a oferecer prazos de locação mais curtos no futuro — hoje concentrados entre 24 e 36 meses —, incluindo contratos mais flexíveis inspirados em modelos mais maduros do mercado internacional de locação.

A companhia também reforçou a estrutura comercial, com quatro diretorias dedicadas a regiões e segmentos específicos, aposta na expansão da intralogística — segmento com contratos mais longos e yields mais altos — e prepara, um novo site de vendas de seminovos com processo quase inteiramente online, além da abertura de novas lojas físicas ao longo do segundo semestre.



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